Os presidentes da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) defenderam nesta sexta-feira (1º) o julgamento e a condenação dos responsáveis pelo que chamaram de tentativa de golpe de Estado no Equador, em declaração divulgada ao fim de uma reunião de cúpula de emergência.

- A Unasul exige que os responsáveis da tentativa golpista no Equador sejam julgados e condenados.

No texto, o bloco adverte que os governos "não tolerarão e rejeitarão qualquer novo desafio à autoridade institucional". Também ressaltam que, em caso de "novas quebras", serão adotadas medidas como "o fechamento de fronteira, a suspensão do comércio, do tráfego aéreo e do fornecimento de energia".

A reunião decidiu ainda que os ministro das Relações Exteriores devem viajar ainda nesta sexta-feira a Quito, capital do Equador, para manifestar solidariedade ao presidente Rafael Correa, que foi resgatado horas antes por militares após uma revolta de policiais.

Estavam presentes na reunião a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, além do da Venezuela, Hugo Chávez, do Peru, Alan García, do Uruguai, José Mujica, da Bolívia, Evo Morales, do Chile, Sebastián Piñera e da Colômbia, Juan Manuel Santos.

Com o fim da campanha eleitoral no Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não compareceu à reunião.

Entenda a crise política

A crise política no Equador teve início com o motim de policiais descontentes com um projeto de lei que, de acordo com os agentes rebelados, acaba com diversos bônus salariais e de carreira da categoria.

O presidente Correa, por sua vez, negou que isso seja verdade e culpou a imprensa e os opositores de informarem o público de forma errada. Além disso, negou-se a atender ao pedido para que as novas regras fossem revogadas.

O próprio presidente foi agredido enquanto tentava dialogar com os amotinados em um quartel de Quito, nesta quinta-feira (30). Levado ao hospital, Correa disse ter sido mantido refém e acusou os policiais de atender aos interesses da oposição, em uma suposta tentativa de golpe de Estado. A operação de resgate do governante, conduzida por militares, deixou ao menos dois mortos.

As propostas de reforma do governo, que ocorrem após a contínua deterioração das finanças públicas, desagradam a alguns membros do próprio partido do presidente. Na última quarta-feira (29), a ministra para a Política do Equador, Doris Solís, afirmou que Correa cogitava a possibilidade dissolver o Congresso e convocar eleições gerais antecipadas depois que sua bancada legislativa rejeitou parcialmente um projeto de lei.