O uso das defesas do próprio corpo para combater o câncer ganhou mais força com a publicação de uma nova pesquisa nesta semana. Médicos americanos trataram 226 crianças com neuroblastoma agressivo -um tipo de câncer do sistema nervoso periférico- com quimioterapia comum ou associada à imunoterapia.

A taxa de sobrevida sem recaída após dois anos de acompanhamento foi superior entre as crianças tratadas com imunoterapia (54% contra 34%). A pesquisa foi feita pelo Children's Oncology Group, com apoio dos National Institutes of Health.

O neuroblastoma pode se manifestar de forma agressiva. Se há recaída após o tratamento, é difícil obter uma cura. A doença é responsável por 12% das mortes por câncer em crianças com menos de 15 anos.

E é justamente no tratamento residual da doença que a imunoterapia age.

Esses remédios são diferentes da quimioterapia comum, como explica o médico especialista em oncologia infantil Vicente Odone Filho, professor da Faculdade de Medicina da USP.

"As drogas agem em fases da vida da célula doente. Algumas agem na produção de DNA, ou no momento da divisão celular." Apesar de o alvo serem as células doentes, a químio também atinge as saudáveis, causando efeitos colaterais que podem inviabilizar o tratamento, dependendo da dose.

O objetivo da imunoterapia, também chamada de terapia biológica, é dar condições ao organismo para lutar contra o câncer. Ela age em duas frentes. Um anticorpo é produzido em laboratório a partir de uma substância (um antígeno) presente nas células doentes. Isso permite que o anticorpo reconheça e destrua a célula do tumor.

Normalmente, o organismo produz os anticorpos específicos para combater infecções, por exemplo. No caso dos tumores, por algum motivo, essa produção não é suficiente.

Outra parte da medicação de imunoterapia é composta por proteínas que estimulam a produção de glóbulos brancos pelo próprio doente. Essas células também vão ajudar a destruir o câncer.