O comandante da polícia do Equador, Freddy Martínez, renunciou ao cargo nesta sexta-feira, informou o porta-voz da corporação. A notícia é divulgada levante de policiais e soldados ter deixado dois mortos, de acordo com a Cruz Vermelha.
Um dia depois da explosão do conflito entre policias e simpatizantes do governo, militares cercaram a sede do governo equatoriano, onde o presidente Rafael Correa despachava documentos.
A crise no país deixou os vizinhos em alerta. Os governos do Peru e da Colômbia fecharam a fronteira com o Equador e a companhia aérea chilena LanChile cancelou todos voos para cidades equatorianas.
Em entrevista ao canal de TV Telesur, o presidente venezuelano Hugo Chávez, disse ter conversado por telefone com Correa, um dos maiores aliados na região. Chávez disse que Correa havia sido "sequestrado". "Neste momento, o presidente corre risco de vida. Ele não vai ceder, está disposto a morrer", afirmou.
Divisões
Há sinais de divisão entre os militares. O Chefe do Comando das Forças Armadas do Equador, Ernesto González, pediu o fim do levante e disse estar subordinado ao presidente. "Vivemos em um Estado de direito e estamos subordinados a mais alta autoridade, que é o presidente da República. Vamos acatar tudo o que o governo decidir."
Diante da crise, Correa poderá dissolver o Congresso, nas próximas horas, utilizando um mecanismo legal chamado "morte cruzada" que permite o fechamento do Parlamento e a convocação de eleições antecipadas para Presidente e para o Parlamento.
O vice-chanceler equatoriano, Quinto Luccas, disse ter alertado os governos da região - em especial Brasil, Venezuela e Argentina - sobre a crise política no país, pedindo ações em defesa da ordem constitucional. "Não estamos pedindo a defesa do governo e sim da democracia equatoriana", afirmou Luccas.
De Porto Príncipe, onde realiza visita oficial, o ministro de Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, telefonou para o chanceler equatoriano para expressar "total apoio e solidariedade do Brasil ao presidente Rafael Correa e às instituições democráticas equatorianas".
A União de Nações Sul-Americanas (Unasul) condenou a rebelião em uma reunião de cúpula de urgência em Buenos Aires e destacou, na declaração final, "a necessidade de que os responsáveis pela tentativa de golpe sejam julgados e condenados".
Em sessão extraordinária do Conselho Permanente, a Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovou uma resolução de apoio a Correa. Representantes dos países que compõem a OEA rejeitaram qualquer tentativa de desestabilização da ordem constitucional no país. O secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, ofereceu "pleno apoio" da entidade a Correa.
Condecorações
Os policiais recebiam condecorações a cada cinco anos, o que significava um aumento salarial, além de bônus anuais. O decreto elimina esses benefícios.
Entretanto, Miguel Carvajal, ministro de Segurança, disse que o decreto não afeta os salários dos policiais, ao explicar que os bônus antes recebidos a cada cinco anos passaram a ser nivelados e incorporados ao pagamento dos oficiais.
A seu ver, a crise está sendo gerada por uma campanha de "desinformação" que busca "utilizar" os policiais para obter fins políticos.
"Isso é uma campanha de desinformação. Há que se perguntar quem são os que têm interesse em desinformar", disse Carvajal. "Policiais, não se deixem manipular", acrescentou.