Luana Piovani e sua trupe passaram pelo Rio de Janeiro e agora estão em São Paulo para levar à criançada a alegria de um soldadinho perneta de brinquedo e a delicadeza de uma bailarina de papel, inspirados no clássico da literatura infanto-juvenil O Soldadinho de Chumbo, do dinamarquês Hans Christian Andersen. A atriz entra em cartaz no Teatro Procópio Ferreira, no bairro Cerqueira César, com o musical O Soldadinho e a Bailarina, do qual ela, além de protagonista, é produtora.
Em conversa com a imprensa na segunda-feira (27), em um restaurante localizado nos Jardins, Luana, seu par romântico em cena, o ator Pablo Áscoli, os autores do texto, Sergio Módena e Gustavo Wabner, e o diretor do espetáculo, Gabriel Villela, contaram detalhes da obra. Luana, por exemplo, disse que ainda faz aulas de balé clássico e canto por conta de sua personagem, e o diretor relembrou como foi trazer da Europa todo o figurino - retocado, apenas, com o acréscimo de alguns bordados, em Minas Gerais.
A atriz explicou também que participou de oficinas nas quais tinha que cantar com a cabeça dentro de um balde, ora inerte, ora em movimento, tendo companheiros cantando ao lado melodias diferentes, em exercícios estressantes que tinham como objetivo tornar a atuação sobre o palco bem menos difícil do que normalmente seria para uma pessoa que nunca havia cantado antes. "Eu enlouqueci no começo", admitiu Luana, que diz ainda ter muito que aprender. "Estou estudando só há um ano e meio, mas estou cantando sem vergonha", vibrou.
Quanto ao figurino, Villela, que também é figurinista, disse ter comprando as roupas do elenco durante uma viagem de turismo por países do leste europeu. Ele afirma que se encantou por peças que foram usadas por integrantes da cavalaria russa, anos atrás, e passaram a ser vendidas por um ex-combatente. Como a roupa excedia o limite de peso permitido para suas bagagens, ele e dois colegas de viagem tiveram que vestir algumas peças, transformando alguns vestidos em turbantes, para dar conta de trazer tudo.
Quem também contou sua história foi o intérprete do soldadinho, Áscoli, que sequer foi convidado para o teste, mas acabou ganhando o papel depois de insistir com uma amiga para indicá-lo ao diretor do musical. Participou de três dias de oficinas, acreditando que faria qualquer outro personagem que não o do soldado, e chorou ao receber a notícia da escolha por Villela.
Luana encena a partir de sábado (2) seu terceiro trabalho para o público infantil - depois de Alice no País das Maravilhas e O Pequeno Príncipe -, e isso ocorre justamente no bairro onde sua mãe mora. "Vou para o teatro a pé, com fone de ouvido", contou a atriz, acrescentando que não podia estar se sentindo mais em casa do que já está. "O que não falta é farmácia, padaria e boteco, então não preciso de mais nada", afirmou sobre a região dos Jardins.
Ela também se sente bem por fazer um trabalho no qual acredita - bem por isso tem insistindo em produzir seus próprios espetáculos. "Eu sou uma simples atriz a serviço da minha profissão. O que eu posso fazer é me esmerar em produzir espetáculos infantis de conteúdo e qualidade que tenham projetos sociais atrelados", afirmou.
Durante a semana, o musical é encenado gratuitamente para integrantes de algumas instituições sociais, incluindo não só crianças como também pessoas de mais idade. Luana também aposta suas fichas na mensagem que é subliminarmente transmitida ao público, mostrando um personagem de uma perna só que é o mais feliz de todos, se torna um heroi e conquista o coração da bailarina. Segundo ela, não se trata de levantar a bandeira em favor de uma parcela da sociedade com deficiência física, mas mostrar que, apesar da deficiência, o soldadinho e qualquer outra pessoa na mesma situação são pessoas comuns.
Além do lado social do trabalho, Luana diz que, sendo produtora, consegue interpretar personagens que dificilmente lhe seriam oferecidos. "Se eu for esperar alguém me chamar para fazer um menino, como o Pequeno Príncipe, eu morro", disse.
Luana, que afirmou não ter nenhum trabalho na TV em vista - depois da participação em Na Forma da Lei da Globo -, diz que vai se dedicar ao musical, que fica em São Paulo até o dia 19 de dezembro e, no próximo ano, pretende seguir em turnê com ele pelo País.
