Os Comitês de Defesa da Revolução (CDR), considerados os "olhos e ouvidos" da Revolução Cubana, completam hoje 50 anos junto ao ex-presidente Fidel Castro, que por ocasião desta data voltou a discursar em seu segundo ato em massa e ao ar livre em menos de um mês.

Vestido novamente de verde-oliva, Fidel Castro, de 84 anos, falou durante quase uma hora e meia diante de milhares de pessoas reunidas em frente ao antigo Palácio Presidencial (hoje Museu da Revolução), o mesmo lugar onde anunciou, em 1960, a criação dos CDR: um sistema de "vigilância coletiva" para responder às "agressões do imperialismo".

Hoje, Fidel Castro repetiu quase integralmente o discurso que pronunciou na noite de 28 de setembro de 1960.

Castro proclamou que estes comitês - considerados a maior organização de massas de Cuba com mais de oito milhões de filiados - cumpriram e continuarão cumprindo a promessa de defender a Revolução.

O ex-presidente de Cuba discursou sobre o início do confronto da ilha com os Estados Unidos e também lembrou o tema responsável por sua reaparição: o perigo de uma guerra nuclear e a ameaça que representa para o mundo.

Após discursar em 3 de setembro na Universidade de Havana, o de hoje foi o segundo discurso em massa e ao ar livre de Fidel desde sua reaparição em julho, após quatro anos de convalescença.

O 50º aniversário dos CDRs são celebrados em um momento marcado pelas medidas econômicas anunciadas pelo presidente Raúl Castro, que não participou deste ato, para enfrentar a grave crise econômica no país.

O corte de 500 mil empregos nos próximos meses e a flexibilidade do trabalho por conta própria são os principais ajustes na "atualização do modelo socialista", como as reformas econômicas são chamadas na ilha.

O coordenador nacional dos CDR, Juan José Rabilero, pediu aos membros da organização que apóiem esse processo e mantenham a "batalha" contra problemas como o consumo e o trafico de drogas, a corrupção e as ilegalidades e indisciplinas "que danificam a imagem da revolução".

Em seu discurso, Rabilero se referiu de forma confusa ao próximo Congresso do Partido Comunista quando pediu aos filiados dos CDRs que aperfeiçoem seu trabalho no ano que será realizado o 6º Congresso do partido, sem informar datas.

Em julho de 2009, Raúl Castro adiou indefinidamente o 6º Congresso do Partido Comunista - o último foi realizado em 1997 -, cujo primeiro-secretário continua sendo Fidel Castro.

Além da "vigilância coletiva", os CDR participaram, no último meio século, de campanhas educativas e sanitárias organizadas em Cuba nos primeiros anos da revolução e agora cumprem outras tarefas sociais. Uma das mais importantes é a organização da Defesa Civil em caso de catástrofes como furacões.

O governista Partido Comunista encarregou recentemente os CDRs de ajudar a explicar à população através de assembléias os ajustes econômicos empreendidos pelo Governo.

Sobre o papel dos CDR nos últimos 50 anos, a dissidente Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional (CCDHRN) considera que não foi muito além de seu trabalho social.

Em declarações à Agência Efe, Elizardo Sánchez, porta-voz da CCDHRN, disse que a função básica destes comitês foi servir de auxiliar à Polícia política secreta na vigilância de pessoas mediante intromissões em sua vida particular.

"O Castrismo transformou essa organização em um instrumento de repressão e controle social que perdura até hoje, embora tenha perdido sua popularidade inicial", disse.