Dirigentes políticos e de setores econômicos venezuelanos pediram nesta terça-feira que se imponha o "diálogo" no novo Parlamento eleito no domingo, que exibirá a partir de janeiro uma nova correlação de forças com o retorno da oposição a esse organismo após cinco anos de ausência.
O governo obteve 98 das 165 cadeiras da Assembleia Nacional, e com isso manteve a maioria parlamentar que ostenta desde 2005, embora tenha perdido o controle dos dois terços da Câmara, o que na prática dá o controle do Parlamento venezuelano.
Pablo Pérez, governador do estado de Zulia, onde a oposição obteve 12 deputados frente a três do Governo, afirmou nesta terça-feira que chegou "o momento do diálogo" entre ambas as correntes políticas, para favorecer o desenvolvimento do país.
Pérez considera, além disso, que o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), do presidente do país, Hugo Chávez, incorrerá em "erro" se nos três meses que lhe restam como força hegemônica na Assembleia aprovar leis que, a julgamento do governador, sejam "contrárias" à vontade popular expressada nas urnas no domingo.
Opositores e analistas locais indicaram que até janeiro o Parlamento, com maioria qualificada da base governista, poderia aprovar projetos e leis orgânicas, que requerem o voto de dois terços da Câmara, percentagem necessária para avançar na construção do chamado socialismo do século XXI que preconiza Chávez.
Chefes dos setores empresarial e industrial, por sua vez, também se pronunciaram para que a nova Assembleia alcance um nível de diálogo que permita recuperar a confiança dos investidores no país, a qual, sustentam, minguou nos últimos anos devido à suposta insegurança jurídica gerada pelo socialismo de Chávez.
"Mais uma vez desejamos insistir na necessidade do diálogo. O Governo deve interpretar a vontade do povo" expressada no pleito parlamentar, declarou à imprensa local Noel Álvarez, presidente da Fedecámaras.
Álvarez propôs que o novo Parlamento revise "alguns instrumentos legais que foram aprovados e que entendemos que prejudicam a livre extensão econômica na Venezuela", entre os quais mencionou as leis de terras e de acesso a bens e serviços.