O Ministério Público e a Polícia Civil do Rio de Janeiro prenderam, durante operação conjunta, neste sábado, o vereador de Araruama Sérgio Roberto Egger de Moura (PSC), acusado de tentativa de homicídio. Ele foi preso pela segunda vez neste ano por envolvimento em atividades ligadas a uma milícia que atua na região dos Lagos, da qual seria líder.

O pedido de prisão preventiva foi feito pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público. O vereador foi detido hoje, por volta de 14h, na rua do Carnaval, em Iguaba Grande, de onde foi levado para a 129ª Delegacia de Polícia. Ele deve ser transferido para a carceragem da Polinter em Araruama.

O vereador responderá pelo crime de tentativa de homicídio, segundo denúncia feita ao Tribunal do Júri de Araruama. O crime teria ocorrido em 28 de novembro de 2009, quando, seguindo ordens de Egger, um atirador fez vários disparos contra o policial militar Manoel Fonseca Domingues, que trabalhava na repressão ao transporte ilegal na região, comandado pelo vereador.

O crime ocorreu quando o PM chegava em casa e só não teria sido morto porque revidou a agressão, a tiros, obrigando o atirador a fugir em direção à Rodovia BR-106. No dia 10 de dezembro, para desmentir o registro de ocorrência feito pela vítima, Egger e o um outro evolvido, também denunciado, foram à 118ª Delegacia de Polícia de Araruama, onde o executor dos disparos registrou outra ocorrência, alegando ter sido atacado pelo policial no momento que saía de uma farmácia. Os denunciados provocaram, assim, uma investigação policial contra a vítima, e por esse motivo também foram denunciados por reportar um falso crime.

Segundo o Ministério Público, uma testemunha estaria com medo de ser morta e teria relatado que o veículo do vereador passou por várias vezes na porta de sua casa.

Os promotores afirmam ainda, no requerimento, as informações de envolvimento dos denunciados com uma milícia. Eles destacam que Egger foi preso em flagrante e, posteriormente denunciado pelo procurador-geral de Justiça Cláudio Lopes, por porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. No dia 26 de janeiro, durante busca e apreensão na casa do vereador, foram apreendidas uma pistola, carregadores e centenas de munições de uso restrito do Exército.

As buscas e as prisões de quatro policiais militares em janeiro ocorreram um procedimento que investiga o desaparecimento de dois homens, que teriam sido mortos após uma briga com o vereador. As vítimas foram detidas ilegalmente, levadas para local desconhecido e nunca mais apareceram.

Em abril, os cinco criminosos foram denunciados pelo procurador-geral de Justiça por sequestro e coação. Cláudio Lopes pediu a prisão preventiva do vereador uma vez que, dias após o crime, Egger foi ao encontro de uma testemunha do crime e a ameaçou. Ela também chegou a ser perseguida por um automóvel cujos integrantes efetuaram disparos de arma de fogo e, por isso, mudou de Estado.

No mesmo mês, ele obteve liberdade provisória, por decisão da Seção Criminal do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro.