O presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, pediu ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que "tome a decisão de congelar a colonização" na Cisjordânia para permitir a continuação das negociações de paz, declarou seu porta-voz à France Presse.
"Abu Mazen (Abbas) quer prosseguir com as negociações, mas Netanyahu deve tomar a decisão de congelar a colonização para criar a atmosfera propícia à continuação do processo de paz e ao sucesso das discussões", afirmou Nabil Abu Rudeina após o fim da moratória sobre construções israelenses na Cisjordânia.
"Pedimos a Netanyahu que não desperdice esta oportunidade porque não se trata apenas do futuro de israelenses e de palestinos, mas sim de uma paz exaustiva para toda a região", disseu Rudeina.
O pedido de Abbas ocorre após o apelo de Netanyahu para que o presidente da Autoridade Palestina mantenha as negociações de paz visando "um acordo histórico".
"Faço um apelo ao presidente Abbas para que siga participando das negociações boas e honestas que acabamos de lançar para tentar conseguir um acordo de paz histórico entre nossos dois povos", disse Netanyahu.
A moratória sobre novas construções na Cisjordânia expirou às 24h locais deste domingo (19h Brasília), ao final de dez meses.
Abbas já havia declarado neste domingo, em Paris, que as negociações de paz seriam uma "perda de tempo" com a retomada da colonização nos territórios ocupados.
Netanyahu resiste às intensas pressões dos Estados Unidos e da comunidade internacional exigindo a manutenção da moratória sobre novas construções judaicas na Cisjordânia. Mais cedo, ele havia afirmado que quer continuar a negociação.
David Axelrod, principal conselheiro do presidente americano, Barack Obama, disse que os Estados Unidos "seguirão encorajando, encorajando, e pressionando durante toda a jornada para obter uma resolução" sobre a questão da colonização.
O porta-voz do departamento americano de Estado, Philip Crowley, informou que a secretária de Estado, Hillary Clinton, está em contato com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e com o ex-premier britânico Tony Blair, representante do Quarteto para o Oriente Médio (EUA, União Europeia, Rússia e ONU) para tentar salvar o diálogo.
"Seguimos pressionando para que as conversações continuem", disse Crowley.