O governo da República da Irlanda terá que fazer um esforço de controle orçamentário maior, já que a crise do seu setor bancário está sendo mais elevada que o esperado, segundo disse nesta sexta-feira um porta-voz da Comissão Europeia (órgão executivo da União Europeia).

"As autoridades irlandesas estão decididas a tomar as medidas necessárias para consolidar suas contas", disse o porta-voz de Assuntos Econômicos e Monetários da UE, Amadeu Altafaj, que acrescentou que muitas das medidas tomadas até agora foram efetivas.

A autoridade disse que a crise do setor bancário do país é maior do que se previa, sobretudo a do Anglo Irish Bank. Por isso, Altafaj considerou crucial saber quanto vai custar o resgate dos bancos para estudar se estão de acordo os objetivos de redução do deficit estipulados para a República da Irlanda, que deveria situá-lo abaixo de 3% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2014.

Apesar desta circunstância, o porta-voz pediu "que não se dramatize" nem se compare a situação do país com a de outros membros da zona do euro, como a Grécia, que teve que recorrer à ajuda internacional.

Na Comissão Europeia "não há medo de contágio", disse.

Perguntado sobre a possibilidade de a República da Irlanda ter de apelar à solidariedade dos países da zona do euro para poder fazer frente a seus compromissos de dívida, o porta-voz assegurou que "as autoridades irlandesas se comprometeram a evitar cair em uma situação de risco máximo".

O país surpreendeu o mercado na quinta-feira, ao anunciar que sua economia registrou queda de 1,2% durante o segundo trimestre de 2010, número que não era esperado para um país que parecia ter deixado a recessão para trás.

O porta-voz comunitário tentou minimizar a importância da contração do PIB irlandês, mas confessou que terá consequências sobre as finanças públicas do país.