Trens e aviões pararam, escolas fecharam e jornais não circularam na quinta-feira na França, na segunda greve em menos de um mês contra a reforma previdenciária proposta pelo governo.

Centenas de milhares de pessoas foram às ruas em passeatas contra o projeto, que eleva a idade mínima de aposentadoria de 60 para 62 anos. Sindicatos disseram que até 3 milhões de pessoas participaram dos protestos, enquanto a polícia estimou a multidão em 997 mil.

A cifra apresentada pelos sindicatos foi ligeiramente superior à da manifestação anterior, em 7 de setembro. A estimativa da polícia foi um pouco menor do que naquela ocasião.

As empresas aéreas cancelaram 40 a 50 por cento dos seus voos, e a circulação de trens intermunicipais foi reduzida à metade.

Correspondentes da TV Reuters viram alguns confrontos entre policiais e manifestantes perto da sede da entidade patronal Medef, em Paris.

Os sindicatos querem pressionar o governo a desistir da reforma, que também eleva de 65 para 67 anos a idade para a aposentadoria com salário integral, e eleva a contribuição previdenciária de funcionários públicos.

"Se o governo não alterar sua posição intransigente, será obviamente nosso dever e responsabilidade como sindicatos preparar novas iniciativas", disse Bernard Thibault, líder da central sindical CGT.

A greve afetou parcialmente a programação das rádios públicas France Info e France Inter, e a versão impressa do vespertino Le Monde não circulou.

O ministro do Trabalho, Eric Woerth, disse que o governo não vai desistir da reforma, destinada a controlar o déficit do sistema previdenciário.

"Se você não reformá-lo, ele simplesmente não será viável, e não seremos capazes de pagar as pensões dos franceses", afirmou ele a jornalistas na quarta-feira.

Outros países europeus, especialmente Grécia e Espanha, devem também ter protestos nas próximas duas semanas contra planos de austeridade fiscal por parte de seus endividados governos.

Os sindicatos se queixam de que a reforma penalizaria mais quem começa a trabalhar cedo ou faz trabalhos fisicamente exaustivos, e as mulheres que se afastam da carreira para ter filhos e terão de trabalhar até os 67 anos para fazer jus à aposentadoria integral.

A reforma já foi aprovada pelos deputados franceses, e deve ser debatida em outubro no Senado. Uma pesquisa do instituto Viavoice mostrou que 59 por cento dos franceses são contra a elevação da idade mínima de aposentadoria, e 63 por cento apoiam os protestos.

(Reportagem adicional de Gerard Bon, Lucien Libert e Anthony Paone)