O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, fez um apelo nesta sexta-feira para que os Governos "revitalizem" as negociações desenvolvidas na Conferência sobre Desarmamento, em Genebra, e que direcionem suas despesas em armamento ao desenvolvimento.

Ban assegurou que sua intenção é "revitalizar as negociações multilaterais de desarmamento e ajudar a acabar com a inércia em que se encontra a Conferência sobre Desarmamento", que há anos não avança em nenhum aspecto.

A principal autoridade da ONU acrescentou que desde 2000, ano em que foram aprovados os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), para, entre outras metas, erradicar a pobreza e as doenças, "as despesas com defesa aumentaram 50% e agora são de US$ 1,5 trilhão".

"Imaginem o que poderia ser feito se esse montante fosse dedicado a reduzir a pobreza, a mitigar os efeitos da mudança climática, à segurança alimentar ou ao desenvolvimento global", ressaltou Ban.

O secretário disse que, além disso, o desarmamento e a não proliferação de armas são essenciais em política internacional não só em relação à paz e segurança internacionais, mas também porque contribuem para criar confiança entre os países e a reforçar a estabilidade regional e internacional.

O fórum procura, de maneira infrutífera desde 1996, um acordo para proibir a produção de material essencial para as armas nucleares, como parte de um programa mais amplo de desarmamento mundial.

Após anos de paralisia, os 65 países que participam da Conferência sobre Desamarmento acordaram, em maio de 2009, uma agenda de trabalho que iniciou o processo de negociação.

Desta forma, foi firmado, pela primeira vez um acordo sobre o que negociar dentro de um amplo leque de possibilidades: desarmamento nuclear total, corrida armamentista espacial e um tratado sobre a proibição de produzir material destinado a armamentos nucleares, tal como o proposto na década de 90.

O processo, porém, sofreu uma nova detenção brusca pela inesperada atitude do Paquistão de bloquear qualquer avanço ao pedir que a relação de temas volta a ser discutida.