A organização terrorista Al Qaeda no Magrebe Islâmico (AQMI) afirmou hoje que matou 19 soldados do Exército mauritano no enfrentamento de sexta-feira e sábado no norte do Mali e que há indícios da presença de militares franceses junto aos mauritanos.

A imprensa mauritana destacou que a organização terrorista afirmou hoje em comunicado que dezenas de militares ficaram feridos nos combates, registrados a 80 quilômetros ao norte da cidade de Tombuctu, no Mali.

Em relação aos indícios da presença de soldados franceses junto aos mauritanos, o comunicado citou a fuga "de um veículo blindado seguido por outros quatro que o escoltavam" no início das operações e destacou que suas forças apreenderam "armas francesas sofisticadas".

A rede terrorista anunciou também que destruiu três veículos 4x4 e apreendeu outros cinco, vários fuzis, 32 foguetes, um lança-foguetes, quatro pistolas, nove coletes anti-balas, grande quantidade de munição, vestimenta militar e cerca de 1,7 mil euros.

De acordo com a imprensa mauritana, no domingo um avião de combate do país bombardeou "com imprecisão" carros da organização, sem causar grandes estragos.

O único comunicado divulgado até agora pelas autoridades mauritanas destacou no sábado que 12 supostos insurgentes e seis soldados mauritanos morreram na operação, que deixou ainda dezenas de integrantes da AQMI e nove militares feridos.

Fontes militares acrescentaram que outros dois soldados que ficaram feridos acabaram morrendo, o que elevaria para oito o número total de mortos do lado mauritano.

Em comunicado divulgado na última segunda-feira, a AQMI acusou o presidente mauritano, Mohamed Ould Abdel Aziz, de ser um "agente a serviço da França", e prometeu às tribos árabes, instaladas no norte do Mali, vingar a morte de duas mulheres na ofensiva aérea de domingo que, segundo o grupo, seriam civis.

A organização acrescentou que o Exército mauritano não parou de dizer "mentiras" sobre o combate, que segundo o Ministério de Defesa mauritano começou com caráter preventivo, após o país "detectar um grupo de terroristas a bordo de uma caravana de veículos armados" que se deslocava para a fronteira com o Mali.

O Governo francês negou que houvesse "forças francesas no terreno" e destacou que a ofensiva mauritana não tem relação com o sequestro de sete trabalhadores da companhia Areva no Níger no dia 15 de setembro.