Após uma hora de depoimento na superintendência da Polícia Federal em São Paulo, Verônica Serra - filha do candidato à Presidência, José Serra (PSDB) – e seu marido, Alexandre Bougeois, voltaram a afirmar que não assinaram qualquer procuração para que o contador Antônio Carlos Atella Ferreira acessasse os dados fiscais dos dois. A violação foi feita nas agências da Receita Federal em Santo André e Mauá, cidades do Grande ABC. Segundo o advogado do casal, Sérgio Rosenthal, ainda é cedo para dizer que o crime tenha motivação política.

Rosenthal afirmou que os depoimentos serviram basicamente para formalizar no processo que Alexandre e Mônica “foram vítimas de um crime”.

- Ambos jamais outorgaram uma procuração e [...] as assinaturas são falsas.

Ele disse esperar que Atella seja “responsabilizado” pelo crime e acabe indiciado.

- Tenho convicção de que ele será indiciado ao menos por uso de documento falso.

O advogado disse ainda que “parece possível que haja conotação política” no fato de a violação ter atingido a filha, o genro e outras pessoas ligadas ao candidato do PSDB à Presidência, mas que ainda “parece precipitado” afirmar isso.

- É muito difícil dizer que se trata de um crime político.

Ele disse que Verônica e Alexandre estudam pedir reparação de danos, mas só depois de “aguardar o final das investigações”, que seguem sob segredo de Justiça.

Verônica e Alexandre chegaram à PF de carro às 11h. Eles entraram pela garagem do prédio da PF sem conversar com a imprensa, que os aguardava.

Investigações

Ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o secretário da Receita, Otacílio Cartaxo, anunciaram medidas para reforçar a segurança do sistema de dados da entidade, como a instalação de um sistema de alertas para consultas suspeitas e punição mais rigorosa ao servidor público que cometer esse tipo crime.