O médico que feriu um bebê com um bisturi na hora do parto, no Hospital Municipal do Campo Limpo (zona sul de São Paulo), no fim de agosto, poderá ser indiciado por suspeita de lesão corporal culposa mesmo após o laudo do IML (Instituto Médico Legal) constatar que a morte da criança não foi causada pelo corte. A afirmação foi feita nesta sexta-feira pelo delegado Gilberto de Castro Ferreira, responsável pelo caso. Ele afirmou que as investigações continuam.

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O delegado afirmou que "como a criança nasceu viva, houve uma lesão corporal". Apesar disso, ele destacou que em procedimento de risco médico alguns danos são "aceitos" e que apenas uma investigação médica vai dizer se o ferimento encontrado no bebê é compatível com o procedimento. Ferreira disse ainda que se o médico for considerado culpado este tipo de crime tem pena alternativa e não deve resultar em prisão.

O parto cesárea ocorreu em 29 de agosto. A mãe, de 14 anos, estava, aproximadamente, no sexto mês de gestação e o parto era considerado de risco --pela idade da mãe e pelo fato de o bebê ser prematuro.

Em nota divulgada ontem, a Secretaria Municipal da Saúde afirmou que "o corte, no entanto, afetou somente a derme do recém-nascido --não houve comprometimento de nenhum órgão interno". Na ocasião do parto, o médico responsável informou à polícia que houve complicações durante o parto e confirmou que realizou a incisão com ajuda de outra médica.

A mãe do bebê será ouvida hoje pela Polícia Civil, no 37º DP (Campo Limpo). Já a equipe médica que participou do atendimento a jovem prestará depoimento entre segunda e terça-feira. O delegado disse que ainda será determinado se a cesariana era realmente necessária. Além disso, o processo de pré-natal da adolescente também deve ser analisado pela polícia.

DOCUMENTOS

Ferreira afirmou que a suspeita de adulteração da guia de encaminhamento de cadáver ainda está sendo investigada, mas ele diz acreditar que tenha havido um erro e não uma adulteração planejada. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, a guia e a via de entrada no hospital assinalavam semanas diferentes de gestação. O tempo ideal de gestação é de 40 semanas.

Um representante do hospital já tinha afirmado que não houve adulteração nos documentos do recém-nascido. O diretor técnico do hospital, o ginecologista Marcelo Antônio Negrão Gusmão, afirmou após a morte da criança que os cartões de pré-natal indicavam gravidez de 27 semanas e os exames no corpo do bebê, 31 semanas. "As duas informações estavam disponíveis", afirmou.