Membros da Marinha do México iniciaram nesta sexta-feira uma busca por cemitérios clandestinos em San Fernando, no Estado de Tamaulipas, fronteira com os EUA, onde foram achados nesta semana os corpos de 72 imigrantes vítimas de um cartel do narcotráfico.

Fontes oficiais informaram que os militares "passarão um pente na área" para assegurar que "não há mais cadáveres na região".

Soldados fortemente armados transitavam hoje pela zona fronteiriça de Tamaulipas com o Texas, enquanto helicópteros realizavam sobrevoos e patrulhas em busca dos autores da chacina que deixou, entre suas vítimas, pelo menos um brasileiro, dado anunciado depois de identificados 41 dos assassinados.

Além do representante do Brasil, o cônsul no México, Márcio Lage, diplomatas de Honduras, El Salvador, Equador também colaboram nas atividades, já que estima-se que haja cidadãos desses países entre os executados.

Em Ciudad Victoria, capital de Tamaulipas, autoridades sanitárias reconheceram que o necrotério de San Fernando é insuficiente para a realização das autópsias e dos estudos periciais e de criminologia necessários, o que atrasou os trabalhos.

A Comissão Nacional dos Direitos Humanos solicitou ao Ministério de Segurança Pública a aplicação de medidas cautelares para o jovem equatoriano sobrevivente ao massacre. A entidade também pediu à Procuradoria-Geral de Tamaulipas que interceda com a finalidade de preservar as provas e os dados que permitem a identificação das vítimas.

CRIME

A Marinha mexicana encontrou os 72 corpos nesta terça-feira (26), em uma fazenda perto da cidade de San Fernando, no Estado de Tamaulipas, norte do México e perto da fronteira com os Estados Unidos.

Um jovem equatoriano identificado como Freddy Lala Pomavilla teria sobrevivido ao massacre fingindo-se de morto. Ferido com um tiro na garganta, ele chegou a um posto da Marinha mexicana e contou às autoridades sobre o massacre de imigrantes brasileiros e equatorianos.

Freddy relatou que os estrangeiros foram sequestrados por um grupo criminoso, quando tentavam chegar à fronteira com os EUA. Os homens disseram pertencer ao grupo Los Zetas, e ofereceram trabalho como matadores de aluguel por US$ 1.000 quinzenais. Quando os imigrantes recusaram a oferta, os criminosos atiraram.

A Marinha foi até o local e entrou em confronto com o grupo. Pouco depois, encontrou os corpos no rancho. Segundo a polícia, as vítimas, que se acredita sejam migrantes da América Central e da América do Sul --incluindo quatro brasileiros--, parecem ter sido amarradas com os olhos vendados antes de serem enfileiradas em uma parede e mortas a tiros.

Fotografias mostram os corpos sujos de sangue amontoados no chão da fazenda no Estado de Tamaulipas, que se tornou palco dos mais graves episódios da violência relacionada às drogas no México, enquanto o cartel do Golfo e o grupo rival, os Zetas, disputam rotas de tráfico.

Forças de segurança mataram três homens armados e prenderam um outro quando eles se aproximavam da fazenda na quarta-feira, mas vários suspeitos escaparam durante o confronto.