Carolina Narváez, esposa de Raúl Bustos, um dos 33 mineiros presos há três semanas em mina no norte do Chile, entrou nesta quinta-feira com uma ação penal contra os donos da jazida e o organismo público que fiscaliza a segurança que permitiu a exploração no local.

"Não estou pensando na recompensa monetária, estou pensando nos responsáveis, não apenas os donos da mina, mas as pessoas que não fizeram o trabalho de fiscalizar", disse Carolina sobre as motivações do processo.

De acordo com o advogado Remberto Valdés, a demanda será apresentada contra Alejandro Bohn e Marcelo Kemeny, donos da empresa San Esteban, proprietária da jazida San José, onde um desabamento prendeu os trabalhadores no dia 5 de agosto. Os empresários serão acusados de lesões, informou o advogado.

A ação judicial também inclui o Serviço Nacional de Mineração e Minas (Sernageomin), que autorizou a reabertura da mina um ano depois de um acidente com um trabalhador em 2007. O serviço será acusado de prevaricação (crime quando um funcionário público deixa de fazer o que obriga a lei) por "ter divulgado, em 2008, uma resolução injusta que significou a reabertura da mina San José", que havia sido fechada no ano anterior, disse Valdés.

Congresso

Uma comissão do Congresso chileno também investiga as responsabilidades no desabamento da mina. Segundo o presidente do Chile, Sebastián Piñera, serão punidos "todos os que tenham responsabilidades no acidente, tanto civis como penais".

Segundo especialistas ouvidos pelo iG, além da falta de ânimo e provável período de depressão, os mineiros presos podem enfrentar doenças como pneumonia, viroses respiratórias, tuberculose, infecção orgânica generalizada e diarreia.