O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, elevou o tom das críticas a sua adversária, a petista Dilma Rousseff, ao sugerir que, se eleita, a petista governará sob o comando do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Candidato não pode ter duas caras. Não se terceiriza comandos. É imaginativo pensar que o Brasil pode ser governado pelo Lula fora do governo. Isso não existe. Não se governa da garupa", afirmou Serra.

O tucano também falou sobre a quebra do sigilio fiscal e bancário de quatro integrantes do partido. "Quebra do sigilo é um crime com finalidade eleitoral. As informações foram recolhidas no comitê do PT. É uma coisa grave, o peso do Estado entrando na vida privada", criticou.

Segundo o ex-governador de São Paulo, a quebra foi feita "para ajudar a candidatura de Dilma e ela deve explicações à população". "Não é a primeira vez que eu sofro baixarias, vocês se lembram do dossiê dos aloprados, comandado pelo atual candidato ao governo de São Paulo [Aloizio Mercadante, do PT]. É a modalidade deles", afirmou.

"Conto com empresários"

Serra participou nesta quinta-feira (26), em São Paulo, de um encontro com diversos representantes da indústria de máquinas e equipamentos. O tucano criticou o aumento das importações no Brasil, o que, segundo ele, "enfraquece a indústria local".

"O esquema é insustentável", disse o presidenciável ao comentar a dificuldade e o alto custo de exportação para as empresas. "Houve uma queda de 12% nos preços de exportação no governo FHC. No governo Lula eles duplicaram (...) Não houve avanços", afirmou.

Com relação à política econômica, Serra afirmou que há um "tripé perverso", formado pela alta taxa de juros, alta carga tributária e a baixa taxa de investimento governamental.

"No resto do mundo, os juros caíram durante a crise, só no Brasil aumentou. Adotamos uma política anticíclica sem aumentar investimento, mas continuamos nisso", criticou Serra. "A Dilma disse que a carga [tributária] era boa, mas isso ninguém questiona", disse.