O candidato ao Governo de Alagoas, Fernando Collor de Mello (PTB), fez duras críticas à imprensa nacional. Em entrevista ao jornalista Plínio Lins, no programa Conversa de Botequim, ele acusou grandes empresas de comunicação – do eixo sul e sudeste – de trabalharem contra o seu nome e sua gestão à frente da Presidência da República.
De acordo com Collor, desde o lançamento de sua candidatura, a imprensa sulista se indispôs com o seu nome. Ele credita este fato por conta de ser nordestino. “Acho que esta foi a condição decisiva. Mas houve excessos, até hoje”, citando o caso da IstoÉ. Ele conta que ainda não tinha lido a revista, até ser informado do teor da reportagem, que levou à ameaça ao jornalista, Hugo Marques, da publicação semanal.
“Eu não tenho o hábito de comprar/ler nenhuma revista. Como ela sai na quinta ou sexta-feira, um amigo me mostrou o teor: numa hora errada. Eu fiquei muito zangado e liguei imediatamente para o jornalista, externando a raiva que estava sentindo. Ele extraiu só a parte feia, deveria ter colocado a gravação inteira”, declarou o candidato.
Como jornalista, o ex-presidente ressalta que o jornalista Marques cometeu um erro básico de sua profissão. “O erro foi o de apuração. Quem disse a ele que não tenho as minhas certidões em dia? Eu estava com elas na minha frente. Na época, eu estava disposto a mandar para a revista, mesmo sabendo que elas não seriam publicadas”, se explica.
Agora, Fernando Collor diz que adota uma nova estratégia: ‘eles escrevem o que querem e eu respondo do jeito que quero’. Sobre a experiência adquirida com o jornalismo, ele diz conhecer todas as ‘manhas’. “Esses que saíram agora e estão loucos para chegar, pensando ‘vou provocar o Collor, para ter uma resposta assim’, eu deixo passar: relevo”, concluiu.
Questão Particular: Veja
Na mesma entrevista, Fernando Collor dispara duras críticas à publicação semanal. Ele revela, entre outras coisas, que a revista chegou a procurar um de seus ministros: oferecendo uma capa e uma entrevista das páginas amarelas – em troco de um ataque direto contra a sua pessoa.
“O intermediador da proposta foi o crápula do Luiz Pompeu de Souza, que se diz jornalista e assina a última página da revista há anos. Na época, ele foi escorraçado do gabinete de meu ministro. Não dá para confiar em uma publicação como esta”, dispara o candidato sabendo que tem um correspondente da publicação na platéia.
O ex-presidente não parou por aí. Os jornais, Estado e Folha de S. Paulo, não escaparam de seus comentários. A única instituição que passou ilesa à ofensiva do candidato foram as organizações Globo: sobre ela, Collor não teceu nenhum comentário sobre ela.
