Após o resultado da pesquisa IBOPE que aponta a perda de 9% das intenções de voto em um só dia – se comparar com a pesquisa divulgada pelo GAPE, no início desta terça-feira (24) – o candidato Fernando Collor de Mello (PTB) apontou uma fragilidade da amostragem: com base no depoimento do presidente do Instituto, Carlos Augusto Montenegro, que declarou publicamente a derrota de Dilma Rousseff (PT), ainda no primeiro turno.
Em entrevista ao jornalista Plínio Lins, no programa Conversa de Botequim, o ex-presidente da república classificou como uma discrepância brutal o resultado entre as duas sondagens eleitorais. “Não estou querendo desmerecer o IBOPE, mas não quer dizer que esta pesquisa seja infalível”, alfineta. Para isso, ele utiliza o depoimento de Montenegro: “ele nunca poderia opinar que o Lula não faria o seu sucessor. Principalmente quando as pesquisas do próprio Instituto apontam uma ‘goleada’ da ministra sobre o seu opositor [o governador de São Paulo, José Serra (PSDB)]” fundamenta.
O candidato desconsidera que as eleições em Alagoas estejam sofrendo um empate técnico. “É interessante que todas as outras pesquisas apontem para um resultado muito parecido com o do GAPE. Só a do IBOPE se pôs de forma diferente. Mas esta questão será solucionada, é uma questão de tempo. Pesquisas do Vox Populi, SENSUS e outras devem sair e sepultar a questão” antecipa. Mas não descarta que as eleições estão disputadas e só serão resolvidas no segundo turno.
Na entrevista, Fernando Collor foi questionado sobre os seus adversários potenciais – todos eles com experiência de administração do Executivo. Sobre Ronaldo Lessa (PDT), o ex-presidente foi mais brando. “É uma pessoa boa. Eu não o conhecia, não tinha uma relação mais próxima, de conversa. Até a composição da Frente, onde tivemos a oportunidade de conversar”, destacou.
No caso de Teotonio Vilela Filho (PSDB) o senador foi mais enfático: ‘o executivo não é a sua praia’. Collor acredita o governador tenha um desempenho melhor no poder Legislativo. “As suas ações não permitem um governo centrado. O povo gosta de um governador que brigue, lute, não espere – sentado - as coisas caírem do céu. Ele se enquadra na classe de administradores que não sabem o que acontece”, alfineta.
Segundo Turno: disputa por votos
Ao ser questionado como pretende ‘conquistar’ os votos de seu adversário derrotado – caso esteja no segundo turno – Fernando Collor foi enfático: ‘eu não acredito em transferência de votos, exceto em dois casos’. O primeiro foi o de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), na época ele se elegeu transferindo a sua imagem, quanto ministro, para dar sequência ao plano Real. Agora é a vez de Lula, que aposta em sua candidata para dar continuidade aos seus projetos.
Com isso, ele traça como plano de ação mostrar que, talvez, seja a melhor opção para o Estado. “O eleitor não pensa muito na questão de partido, na questão de amizade. A população pensa qual dos candidatos podem resolver os seus problemas do dia-a-dia”, acredita.
Neste sentido, ele acredita que enfrentar o Vilela será mais fácil. “Esta afirmação não quer se sustenta sobre o fato de achar que esta não seja a sua praia. Mas, pelo fato de ele ser opositor à Dilma. O que pesa é a questão da identidade: estamos de lados opostos do campo político, principalmente em Alagoas”, explica.
‘Bandidões’ e ‘Bandidecos’
O jornalista Plínio Lins questionou o seu depoimento, durante o lançamento de sua campanha. Na ocasião, o candidato mandou um recado para os bandidos. Se eleito, ele aconselhou que os ‘bandidecos’ saiam do estado, caso o contrário eles sentiriam o peso de sua mão. Agora, a pergunta se sustenta se ele terá a mesma posição contra os ‘bandidões’.
“É preciso que estes ‘bandidões’ sejam detectados. Será que não são aqueles políticos que, ao invés de elaborarem um projeto político, elaboram um projeto econômico: que só beneficia a si e a seus próximos? Bandidões são aqueles que deixam as crianças morrerem sem médicos, em condições de pobreza absoluta?”, questiona.
Esfacelamento da Frente
Desde a primeira reunião do ‘Frentão’ em Brasília, Fernando Collor sentiu – a princípio – que tudo iria correr bem. Afinal, ele considera que uma eleição majoritária é construída em uma política de alianças: ‘um arco que possa lhe alavancar’. No entanto, logo começaram a surgir as divergências.
“A causa era nobre: reunir as principais lideranças para ter um palanque único, oposicionista, em prol do presidente Lula e sua candidata. Tentava-se construir uma chapa que pudesse chegar ao poder, não obrigatoriamente com o Cícero Almeida (PP). Numa política de aliança é muito difícil um partido indicar dois nomes para a eleição majoritária, como foi o caso do PP” destacou.
Neste caso, seriam o prefeito de Maceió e o deputado federal Benedito de Lira (PP), que não abria mão de sua candidatura ao Senado. “Todos estavam buscando diminuir um candidato. Acabou sendo o Ronaldo, que desistiu de sua candidatura para ser candidato ao Governo do Estado”, esclarece.


