A Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) de Minas Gerais prepara uma operação para levar até o Rio de Janeiro dois dos principais acusados da morte da jovem Eliza Samudio. O goleiro Bruno Fernandes de Souza, 25 anos, e seu amigo e funcionário, Luiz Ferreira Romão, o Macarrão, vão participar, na tarde de quinta-feira, de uma audiência de instrução e julgamento em um processo em que respondem pelos crimes de sequestreo e lesão corporal contra Eliza, o que teria ocorrido no dia 13 de outubro do ano passado.
O goleiro e seu fiel escudeiro estão presos na penintenciária de segurança máxima Nelson Hungria, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, desde 9 de julho. Com outras seis pessoas – entre eleas a ex-mulher e a atual amante de Bruno –, os dois respondem na Justiça mineira pelo suposto assassinato de Eliza, considerada oficialmente desaparecida desde o dia 10 de julho. Atualmente, o filho da jovem – que ela tentava provar ser de Bruno – está com seis meses e sob os cuidadas da avó materna, Sônia Fátima Moura, 44 anos, que obteve na Justiça a guarda provisória da criança.
Por medidas de segurança, a assessoria de comunicação da Seds forneceu poucos detalhes sobre o translado de Bruno e Macarrão. Sabe-se apenas que a viagem dos dois acusados ocorrerá na manhã de quinta-feira e será realizada em uma aeronave do governo de Minas Gerais. A escolta dos presos ficará a cargo de agentes penitenciarios mineiros até o aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte. Já no Rio de Janeiro, a segurança será de responsabilidade de agentes penitenciários fluminenses. O advogado do goleiro, Ércio Quaresma, afirma não saber detalhes da viagem. “Eis o mistério da fé. Não sei informar se o Bruno vai estar na audiência. Se ele estivesse em liberdade eu poderia afirmar isso, com certeza. Eu sei que eu estarei lá”, afirmou o defensor.
Na audiência, o juiz Marco José Marcos Couto, da 1ª Vara Criminal de Jacarepaguá, vai ouvir cinco testemunhas arroladas pelo Ministério Público do Rio. Já as da defesa participarão de outra sessão, ainda sem data marcada. Conforme adenúncia oferecida pelo MP fluminense, em outubro do ano passado, Bruno e Macarrão teriam sequestrado Eliza Samúdio, quando ela estava com cinco meses de gestação. Eles a mantiveram em cárcere privada, onde sofreu torturas físicas e psicológicas, e ainda foi obrigada a tomar medicamentos abortivos.
Desaparecimento – Eliza Samúdio desapareceu em Minas Gerais, após deixar um hotel no Rio de Janeiro com o filho Bruninho. De acordo com denúncias do Ministério Público, a jovem foi sequestrada no dia 4 de julho, pelo amigo e braço direito do goleiro Bruno, Luiz Henrique Romão, o Macarrão, e um primo do jogador, o adolescente J. de 17 anos. Segundo o MP, Eliza foi levada para a casa do atleta, em um condomínio de luxo, no Recreio dos Bandeirantes, onde foi mantida em cárcere privado até o dia 5. A ação teria ocorrido com a ajuda da atual amante de Bruno, Fernanda Gomes de Castro.
Em seguida Eliza e o filho foram conduzidos para o sítio do jogador, em Esmeraldas, na região metropolitana de Belo Horizonte. Ela teria permanecido presa no imóvel até o dia 10 de julho, data, conforme investigações policiais, em que foi levada para a casa do ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, no município de Vespasiano, onde possívelmente foi estrangulada e teve partes do corpos dadas a cães.
Bruno, Macarrão, a atual amante do jogador, Fernanda, a mulher do goleiro, Dayanne de Souza, o administrador do sítio, Elenilson Victor da Silva, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza e Sérgio Rosa Sales, primo do atleta, foram denunciados pelo Ministério Público pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, sequestro e cárcere privado, ocultação de cadáver e corrupção de menor. O ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos responde por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver.
O adolescente J. foi sentenciado pelo juiz da Vara da Infância e Adolescência de Contagem a internação por tempo indeterminado pelos crimes de sequestro e homicídio. O menor cumpre a medida sócio-educativa no Centro de Internação Provisória Dom Bosco, no bairro Horto, região Leste da capital mineira.