O sequestro de passageiros em um ônibus em Manila terminou por volta das 9h45 desta segunda-feira, no horário de Brasília, após quase 12 horas de cárcere privado. Segundo a agência Reuters, a mídia local informa que o sequestrador foi morto na operação. Pelo menos quatro reféns desceram do veículo escoltados por policiais, que invadiram o ônibus em seguida. Uma multidão de jornalistas e moradores cercou o veículo. O sequestrador é um ex-policial que invadiu o coletivo para exigir sua readmissão na corporação.

Mais cedo, a polícia havia recuado após disparos, ao tentar invadir o ônibus. Inicialmente, foi noticiado que o sequestrador poderia ter fugido por uma janela durante a tentativa de invasão dos policiais. No entanto, a agência AP confirmou se tratar do motorista do ônibus. Após escapar, ele disse que o sequestrador tinha aberto fogo contra os reféns.

O sequestrador, armado com um fuzil automático M-16, tinha dito que não se entregaria e mataria os reféns se as autoridades invadissem. O ex-policial, que sequestrou um ônibus com passageiros, entre os quais havia cerca de 25 estrangeiros e várias crianças, havia libertado mais cedo nove pessoas - seis cidadãos de Hong Kong e três filipinos, na maioria mulheres e crianças, informaram fontes policiais.

Além do fuzil, o homem, identificado como Ronaldo Mendoza, portava armas de menor porte. Mendoza disse, em uma nota, que "algo grande" iria ocorrer após as 15h (4h em Brasília), mas o horário passou sem outros incidentes. Os negociadores estão parados diante do ônibus, conversando com Mendoza pela janela do motorista.
O porta-voz da Polícia Nacional, Agrimero Cruz, disse que as mulheres e crianças libertados por Mendoza foram levados para as dependências policiais para que forneçam informações.

Antes da invasão policial, o sequestrador colocou uma cartolina em uma janela do ônibus na qual escreveu as condições para libertar os reféns, e que incluiam que ele fosse absolvido pela Defensoria do Povo das Filipinas das acusações que pesam sobre ele. Mendoza também fez chegar mensagens escritas em pequenos pedaços de papel aos agentes postados na área, enquanto a polícia tentava falar diretamente com ele ligando para o telefone celular do motorista.

O sequestrador tomou o controle do veículo às 9h (horário local, 22h deste domingo em Brasília) e manteve negociações com as autoridades. A polícia identificou o suposto sequestrador como um antigo inspetor com patente de capitão que foi afastado da corporação em 2008, após ser acusado de roubo, extorsão e tráfico de drogas.

As imagens de televisão mostraram ao ônibus com todas as cortinas fechadas e negociadores da polícia falando com o sequestrador sentado no assento do motorista. Embora em um primeiro momento uma fonte policial tenha indicado que os passageiros eram de nacionalidade sul-coreana, o chefe policial de Manila, Rodolfo Magtibay, assinalou depois que são chineses, a maioria de Hong Kong, e que com eles viajam três filipinos: o motorista, um guia e um fotógrafo.

O ônibus, pertencente à agência Hong Tai Travel, foi rodeado pelas forças de segurança perto do parque de Rizal, um dos lugares mais visitados da capital filipina. O sequestrador subiu ao veículo quando este vinha do centro histórico de Manila e estava a apenas 150 m de uma delegacia.

Segundo os dados policiais, o inspetor Rolando Del Rosario Mendoza foi expulso do corpo o janeiro passado junto a outros quatro agentes pela Defensora do Povo das Filipinas.