O assassinato do vereador de Roteiro, Genival Barbosa da Silva, 50 anos, na noite de sexta-feira chamou a atenção da população para o episódio acontecido na noite de 11 de setembro de 2006, quando uma chacina vitimou o então prefeito da cidade de Roteiro, no Litoral Sul de Alagoas, Edvaldo dos Santos Ribeiro, além do secretário de Turismo de Roteiro, José Cláudio Benedito da Silva, o Bené, e José Francisco Souza, o Vaqueiro, todos mortos por cerca de quatro homens armados com espingarda de calibre 12 e revólver de calibre 38, o inquérito continua sem ser concluído.
O vereador Genivaldo foi apontado no primeiro inquérito como o autor intelectual do crime, quando aconteceu a chacina, apenas Edmilson Nicolau dos Santos, o Sibite, e o assessor do prefeito, Kenedy Tenório Domingos, 29, escaparam com vida. Kenedy disse em depoimento à polícia que se fingiu de morto para não ser assassinado.
Genival estava no Centro da cidade quando dois homens ainda não identificados dispararam cinco tiros contra ele. O vereador ainda foi socorrido e levado para a Santa Casa de Misericórdia de São Miguel dos Campos, mas não resistiu aos ferimentos e acabou morrendo
A polícia pouco sabe sobre quem seria o responsável pela morte de Genival,mas seu assassinato pode trazer fatos novos as investigações sobre o caso.
Chacina de Roteiro
O prefeito Edvaldo Ribeiro, o Val do Agenor, assumiu o cargo apenas dois meses depois da posse de Vladimir Brito, que alegou motivos pessoais para pedir renúncia. Com a morte de Edvaldo, quem assumiu o cargo foi o presidente da Câmara Municipal de Vereadores, Damião Amâncio da Silva (PMDB).
Edvaldo Ribeiro era vice-prefeito da cidade de Roteiro, mas assumiu a prefeitura em fevereiro de 2003. Ele foi eleito na chapa encabeçada por Wladimir Chaves de Brito (PMDB), que renunciou ao mandato 55 dias após tomar posse, alegando motivos pessoais.
À época, Wladimir mantinha relações amorosas, conforme informações obtidas pela polícia e que consta no inquérito, com a ex-prefeita de Roteiro Maria Helena Jatobá (PSDB), filha do ex-prefeito de São Miguel dos Campos e usineiro Nivaldo Jatobá (PMDB).
Já no dia 19 de outubro de 2006, promotores de Justiça do Gecoc realizaram uma operação com policiais civis e militares nos municípios de Roteiro, São Miguel dos Campos e Maceió com o objetivo de recolher material que pudesse auxiliar nas investigações da chacina.
Os promotores e os policiais apreenderam nas residências da ex-prefeita Maria Helena Jatobá, do ex-prefeito Wladimir Brito e do na época prefeito substituto Damião Amâncio, computadores, uma série de documentos e também recolheram documentos da prefeitura que teriam sido encontrados em uma das residências. No entendimento da polícia, tirar documento público e guardar em imóvel particular é suspeito.
Na época, o juiz Diógenes Tenório, então porta-voz do Núcleo de Combate ao Crime Organizados em Alagoas – Nirco, disse que os crimes foram praticados por motivos políticos. O magistrado afirmou ainda que houve falta de vontade da polícia em elucidar a chacina, já que nem a reconstituição do crime foi realizada.
Investigações
O delegado Antônio Carlos Lessa, que inicialmente presidiu o inquérito, chegou a solicitar ao Instituto de criminalística que fosse feita uma reconstituição do crime, da qual participariam Edmilson Nicolau, o Sibite e Kenedy Tenório Domingos, testemunhas dos assassinatos. Porém, a reconstituição não aconteceu e juízes e promotores acreditam que o crime seguiu sem solução devido a falta de interesse da Polícia Civil.
O inquérito, que foi concluído dois meses após as investigações policiais, causou polêmica e foi enviado ao juiz Antônio Barros, da Comarca de São Miguel, com o indiciamento do vereador Genival Barbosa da Silva, que ficou alguns meses preso no Cirydião Durval e que por falta de provas foi libertado.
Na época, após receber o inquérito com o depoimento de mais de vinte pessoas, o promotor Nilson Miranda o devolveu ao delegado, apontando falhas e falta de provas para que fosse apresentado um parecer.
A hipótese de latrocínio foi descartada, visto que ficou comprovado que a intenção dos matadores era tirar a vida do prefeito. Os assessores só teriam sido mortos por estarem com ele no momento do atentado.
Depoimentos
Houve contradições nas versões das testemunhas, já que em seu primeiro depoimento, Edmilson contou que havia se fingido de morto depois que foi colocado no banco de trás da Ranger junto com as demais vítimas e que os assassinos teriam feito os disparos para dentro do veículo.
No segundo depoimento, ele disse que ouviu os tiros que mataram o prefeito, Bené e Vaqueiro durante a sua fuga do local do crime. O laudo apontou que Edivaldo Ribeiro foi baleado com três disparos, sendo um na nuca de espingarda 12. Já o secretário de Turismo, Claudio José da Silva, também foi atingido na cabeça com um tiro de espingarda 12.
Edmilson contou ainda, que a emboscada teria sido um assalto, versão que coincidiu com as informações prestadas por Adilson Pimentel, que foi o único que saiu ileso da emboscada.
Adilson confirmou que o prefeito receberia R$ 15 mil da coligação "Alagoas Mudar para Crescer", para cobrir despesas com a campanha dos candidatos proporcional e majoritário.
Já Kenedy Tenório Domingos disse que quatro homens armados saíram de dentro do canavial e que eles perguntavam pelo dinheiro.
