Fiscais do Ministério do Trabalho foram, nesta sexta-feira (20), à fábrica da Produtos Alimentícios Cadore S/A, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. O objetivo da inspeção é verificar em que condições ocorreu o acidente com um funcionário que perdeu um braço em um triturador de massas, na manhã de segunda-feira (17).

De acordo com a assessoria de comunicação do Ministério do Trabalho, os fiscais souberam do acidente através da imprensa. Ainda de acordo com a assessoria, o relatório deve estar concluído entre 15 e 30 dias.

Rafael Costa de Souza, de 25 anos, afirmou, em depoimento a policiais da 64ª DP (São João de Meriti), que, apesar de ter sido contratado como “auxiliar de produção”, desde que entrou na empresa exerce a função de “operador de máquina”.

“Na carteira de trabalho dele está o cargo de ‘auxiliar de produção’. Isso caracteriza um desvio de função”, afirmou o advogado Geraldo Flávio Campos Dias, que defende Rafael.

“Eu não sou operador de máquina. Não me deram treinamento nenhum”, disse Rafael Costa de Souza, de 25 anos, em entrevista ao G1. “Por várias vezes eu pedi para trocar de setor”, acrescentou o jovem, que trabalhava há sete meses na fábrica.

O que diz a empresa
A diretora-administrativa da Cadore, Claudia Scofano, explicou que não há operadores de máquina trabalhando no triturador de massas, mas somente auxiliares de produção, já que, segundo ela, o triturador "não é uma máquina para ser operada e não precisa de parâmetros para funcionar”, pois só tem o botão liga/desliga.

“Essa função é exercida por auxiliares de produção porque não precisa ter expertise de operação de máquina. Basicamente, o trabalho é abastecer o equipamento”, explicou Claudia Scofano.

Cláudia Scofano afirmou que todas os funcionários da Cadore são treinados para trabalhar com as máquinas. “Tenho que verificar com o encarregado do setor se o Rafael não foi treinado”, disse. Ainda de acordo com a diretora-administrativa, o que ocorreu foi um acidente de trabalho e que, segundo o responsável pela área onde Rafael trabalhava, o funcionário teria agido com imprudência.