A delegada da Polícia Civil, Mabel Alves, disse neste sábado que Adriana Villela, 46, filha do ex-ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) Guilherme Villela e da advogada Maria Carvalho Villela, assassinados em 2009, é suspeita de ter esfaqueados os pais.

Defesa de filha de ex-ministro do TSE nega assassinato dos pais

De início, a Polícia Civil investigava Adriana como mandante do crime. Segunda a delegada, a filha do ex-ministro agora também é investigada como a pessoa que desferiu mais de 70 facadas nos pais.

"Temos as duas vertentes e não posso afastar que ela tenha participado da execução", disse a delegada.

De acordo com a delegada, a principal motivação para crime é a fortuna que seria herdada com a morte dois pais, família tradicional na advocacia brasiliense --Villela foi o advogado do ex-presidente Fernando Collor.

"As brigas eram constantes. Não existe até agora outra motivação a não ser os conflitos daquela família por questões financeiras", disse a delegada Mabel Alves.

Adriana e outras duas pessoas estão presas temporariamente por atrapalharem as investigações e pela suspeita de homicídio. De acordo com a delegada, Adriana teria usado a vidente Rosa Maria Jaques e outras três pessoas para fraudar provas e incriminar pessoas que não estavam envolvidas no caso.

"Houve um arranjo criminoso dessas pessoas sempre ofertando denúncias diversas, agindo de forma orquestrada. Os elementos de prova mostram que ela [a vidente] atuou a mando da principal suspeita [Adriana Villela]", disse a delegada.

O principal elemento que embasou o pedido de prisão foi uma prova que a polícia alega ter sido "plantada" para incriminar dois suspeitos do assassinato, depois inocentados.

Trata-se da chave do apartamento dos Villela, que teria sido encontrada com os suspeitos e os ligaria aos crimes.

Perícia constatou, porém, que a chave era a mesma recolhida pela polícia no apartamento do casal, ou seja, não poderia ter sido levada pelos criminosos após o triplo homicídio.

Segundo informações repassadas à Justiça, a vidente foi à delegacia espontaneamente para dizer que tinha a "missão" de colaborar e deu o nome das pessoas que estariam com a chave do local do crime.

A prisão da filha do ex-ministro do TSE, decretada na quarta-feira (18), tem validade de 30 dias. A defesa de Adriana Villela já havia afirmado, no dia da prisão, que se trata de "condenação precipitada".

CLARIVIDÊNCIA

Para a Polícia Civil, a vidente e seu marido, João Tocchetto --que também estão presos-- podem ter participado também do planejamento ou execução do assassinato do ex-ministro Guilherme Villela. Não há ainda, entretanto, provas de que eles teriam recebido dinheiro para participar do crime.

"Veio um grande questionamento se eles agiram somente depois do crime, para obstruir a polícia, ou se participaram desde o início e da execução", afirmou Mabel Alves.

A delegada, contudo, saiu em defesa da Polícia Civil do DF, que se baseou numa suposta clarividência de Rosa Maria Jaques e numa prova "plantada" para prender duas pessoas --que já foram soltas.

"Nós investigadores não podemos afastar nenhuma possibilidade, com preconceito. Eu tenho que buscar os elementos", disse a delegada.

Agora, a Polícia Civil desqualifica os depoimentos dados pela vidente. "Essa vidente com absoluta certeza não tem esses poderes que ela explora. ela tem trabalhado como uma estelionatária a vida toda", afirmou a delegada Mabel Alves.