Em desvantagem nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República, o candidato José Serra (PSDB) evitou falar nesta segunda-feira, em campanha no Rio Grande do Sul, sobre as estratégias para reverter a desvantagem, mas deu uma amostra do tom que deve adotar nas próximas semanas.
Em Porto Alegre, o tucano ironizou a maioria governista na Câmara, mencionando Lula, que, em 1993, disse que o Congresso teria 300 picaretas.
- Eu não sou daqueles que diz que o Congresso Nacional tem 300 vigaristas ou picaretas. Teve alguém que disse isso. Hoje estão todos com a outra candidata - atacou.
Em Novo Hamburgo, Serra voltou a criticar a adversária, que nesta segunda-feira anunciou os pontos da política para medicamentos de seu programa de governo. O presidenciável tucano desafiou Dilma a ver quem fez mais, em relação à distribuição de remédios.
- Eu gostaria de fazer um desafio e vou fazer, se possível, todos os dias: o quê que ela fez na vida, em matéria de distribuição de medicamentos? E posso falar em relação a isso de muitas coisas da vida pública - disse em campanha no Rio Grande do Sul. - O que estamos vendo é a candidata do PT fazendo propostas a respeito de medicamentos de maneira curiosa. É algo que ela não fez em oito anos de governo. Não entendo porque levou oito anos sem fazer e agora, por questões eleitorais, aparece com propostas - ironizou.
Ao falar sobre a carga tributária para os empresários em Novo Hamburgo, pólo do setor coureiro-calçadista, Serra disse que os gastos públicos precisam diminuir para que os impostos sejam reduzidos, sem deixar de mirar em Dilma.
- A desoneração tributária pedida aqui tem a ver com os gastos públicos, que estão crescendo demais. A Dilma diz que a carga atual é boa, mas não é: é muito alta. É a maior entre todos os países emergentes", afirmou, antes de criticar também a taxa de câmbio atual, com o real sobrevalorizado.
- A taxa de câmbio nos faz perder combatividade. Ela estimula o Brasil a importar, não a exportar, e o setor coureiro-calçadista sofre com essas condições macroeconômicas.
Ao encerrar a entrevista, Serra voltou sua crítica mais pesada ao governo Lula.
- O governo federal se recusa a fazer concessões com a parceria privada. Por isso, o setor aeroportuário está paralisado. Tenho o plano de adotar as PPPs, pois precisamos de um modelo que ligue as esferas federal, estadual, municipal e privada", concluiu o candidato.
