O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgou nesta terça-feira (17) um estudo na tentativa de mostrar que a migração de brasileiros entre regiões vem perdendo o caráter de pobreza que tinha há até algumas décadas.
Numa análise entre 1995 e 2008, os pesquisadores afirmam que a tendência verificada até 2001, quando nordestinos saíam de seus Estados buscando melhores condições de vida no Sudeste e outras regiões, se inverteu e deu lugar a um outro tipo de migração: a intrarregional.
De acordo com números do instituto, em 1995, 15% dos migrantes nordestinos iam para o Sudeste, enquanto 9% deles se mudavam para outros Estados de sua região de origem. Ainda no mesmo ano, 7,8% dos migrantes do Sudeste faziam o sentido inverso e 14,9% se deslocavam entre os próprios Estados de sua região.
Em 2008, a situação mudou. O fluxo migratório do Nordeste para o Sudeste caiu para 13,9% e o inverso aumentou para 11,6%. Dentro das próprias regiões, o Nordeste caiu para 7,9% e o Sudeste, para 14%.
O Ipea aponta que um dos motivos para esse comportamento é que os migrantes - especialmente os nordestinos - já passam por uma melhor situação em termos de formalização de trabalho.
O estudo também analisa o grau de escolaridade entre os migrantes. De acordo com o levantamento, nas regiões Nordeste e Sudeste, os mais escolarizados preferem migrar dentro da própria região, enquanto a decisão de mudar de região fica mais restrita aos que têm um grau menor de escolaridade. O processo é inverso entre os migrantes das regiões Sul e Centro-Oeste.
Ao analisar o mercado de trabalho para essa população, o Ipea constatou que a informalidade caiu em todo o Brasil. Nos três primeiros anos da série - entre 1995, 2001 e 2005 -, observa-se que a informalidade é maior entre os migrantes que entre os não migrantes.
Em 2008, essa realidade sofreu inversão. Isso ocorreu porque a velocidade de queda da informalidade tem sido maior entre os migrantes, com destaque para os que vão do Nordeste para o Sudeste, que, tiveram uma queda expressiva na informalidade, de 9,1 pontos percentuais (de 50%, em 2005, para 40,1%, em 2008).
Essa dinâmica criou uma situação curiosa: os que migraram do Nordeste para o Sudeste se encontravam, em 2008, em melhor situação do que os próprios não-migrantes do Sudeste. Pelos dados do Ipea, enquanto naquele ano o percentual de trabalhadores informais no Sudeste estava em 43,4%, a mesma relação entre os migrantes nordestinos era de 40,9%, uma diferença de 2,5 pontos percentuais. Isso significa que, entre a população originária do Sudeste, havia mais informalidade do que entre os migrantes nordestinos para a região. Se o processo continuar nessa direção, aponta o estudo, será possível dizer que esses migrantes estão se qualificando cada vez mais em termos de inserção.