"Não se esqueçam deste nome: Dilma Rousseff presidenta, número 13 na cabeça! Obrigado, minha gente!" Foi assim, misturando o velho bordão às novas alianças, que o senador Fernando Collor (PTB) encerrou comício para cerca de 1.000 pessoas em Feira Grande (AL), no Agreste alagoano.
Ele quer voltar ao governo alagoano 21 anos após renunciar para concorrer ao Planalto. Para isso, tenta apagar o passado e colar sua imagem na do ex-desafeto Luiz Inácio Lula da Silva e em sua candidata.
"Lula vai encerrar o mandato como o melhor presidente que o Brasil já teve", disse ao radialista França Moura, na quarta-feira. "Sou candidato do presidente Lula, da ministra Dilma e do governo federal."
Na versão de Collor, o petista teria adotado a cartilha que o levou ao poder. "Continuo na mesma posição, com as idéias que defendi em 1989", sustenta. Como o PT alagoano está coligado ao PDT de Ronaldo Lessa, o Tribunal Regional Eleitoral proibiu o jingle "É Lula apoiando Collor, é Collor apoiando Dilma".
Ele mandou regravar o trecho com uma mensagem subliminar: "Não adianta, o povo sabe quem tá apoiando quem, o povo tá decidido e vai apoiar também".
Desde o início da campanha, Collor só anda com um adesivo de Dilma no peito direito. No esquerdo, exibia um broche com a imagem de Nossa Senhora Aparecida. O resto do figurino lembrava os tempos da Presidência: Rolex de ouro, calça Ralph Lauren, camisa Tommy Hilfiger e tênis Nike para percorrer as ruas de barro de mãos dadas com Caroline, 28 anos mais nova.
Collor discursou na escadaria da igreja. Em 21 minutos, prometeu escola, asfalto, merenda, ambulância e lares para idosos. Atacou "a ladroagem e a sem-vergonhice" e ameaçou esmagar bandidos "que atormentam a família alagoana" com "o peso da minha munheca".
A seu lado, a ex-prefeita de Arapiraca (AL) Célia Rocha definiu o governo estadual como "primeiro passo" para voltar ao Planalto. Ele não nega o plano. "Depende das circunstâncias e do destino que Deus reserva", disse, dois dias antes
