“Agora, a guerra é pela sobrevivência”. A frase dita há alguns dias pelo senador Renan Calheiros (PMDB-AL) resume o vale-tudo que se passa na sucessão de 54 cadeiras do Senado Federal. O fato de haver duas vagas em jogo em cada estado tem provocado acordos táticos entre candidatos de diferentes coligações e faz aliados caminharem lado a lado com o inimigo. A ordem é chamar o adversário para dialogar e, não raro, propor que ele “libere” o segundo voto.
Em Alagoas, por exemplo, as duas vagas que estão em jogo têm sido alvo de disputas, acordos e manobras que visam o sucesso dos postulantes. A chapa ‘Frente Popular por Alagoas’ (PDT, PT, PMDB, PCdoB, PR, PTdoB, PRP), liderada por Calheiros, articulou com o PT a desistência da candidatura do ex-superintendente da Polícia Federal (PF), José Pinto de Luna, em troca da indicação do vice-governador.
Por outro lado, a principal adversária do peemedebista, Heloísa Helena (PSOL), adotou a seguinte estratégia: ‘votem duas vezes em mim’. O pedido – pouco usual - da vereadora de Maceió não tem nada de inocente. Se caso a candidata seja atendida por seus eleitores, os votos não serão computados duas vezes, eles serão anulados.
Na prática, supondo que Heloísa tenha um universo de 20 mil votos, ela não somará 40 mil: ela deverá anular este segundo voto e neutralizar 10 mil votos de seu adversário – sendo computados, apenas, os 10 mil iniciais dela.
Na chapa ‘Pelo Bem de Alagoas’ (PSDB, DEM, PP, PSB, PPS e PSC) as vagas vêm gerando atrito internamente. Os candidatos Benedito de Lira e José Costa divergiram bastante sobre o palanque. As informações apontam que Costa apoia José Serra para a presidência, ao contrário de Lira – que apoia Dilma. A questão gerou muita confusão na chapa e acabou sendo contornada: pelo menos até agora.
