O percurso é feito por uma linha de trem especial, bem mais confortável. Nessa época do ano, o vagão fica cheio de turistas de várias partes do mundo, muitos brasileiros. O trem "de La Costa", como é chamado, sai da estação de Maipu, na região norte de Buenos Aires, e leva 40 minutos para chegar no destino. Nos feriados e fim de semana, o trem para antes na estação de Barrancas -- onde a principal atração é a feirinha de antiguidades.
"No local tem coisas insólitas, raras, louças, porcelana, vídeos", diz um vendedor. Além de discos de Chico Buarque e Maria Bethania, ele nos mostra uma filmadora caseira de 1914. Mais seis estações e chegamos à Tigre, uma charmosa cidade com inúmeros canais que formam o Delta do rio Paraná.
“Era um antigo balneário usado para o descanso da aristocracia argentina no início do século passado”, explica Carlos, guia e artista local. Ele nos mostra o prédio que é o emblema da cidade: o antigo clube social, que já foi um movimentado cassino e hoje foi transformado em museu de arte.
Do terraço do museu é possível apreciar o trânsito intenso de barcos e lanchas que navegam nas águas do rio. Uma das curiosidades de Tigre é o mercado do porto, onde são vendidas frutas produzidas na região, e elas são vendidas em cima do barco.
A vendedora nos conta que tem que navegar durante três horas para trazer laranjas, limões e outras frutas para os clientes, que há décadas frequentam o mercado.
As embarcações com mais de 50 anos são o transporte público de Tigre. Depois de 35 minutos o turista chega no coração do delta, no arquipélago de Três Bocas, um dos lugares mais visitados de Tigre. É o lugar ideal para almoçar com a família num dos restaurantes ribeirinhos ou passear pelas inúmeras trilhas do local, que duram até duas horas.
A cidade pode ser uma opção de entrar em contato com a natureza, sem perder a sensação de visitar um pedaçinho da Europa. Tipo uma Veneza. É muito bonito. Veneza argentina.