Famílias de presos políticos cubanos cuja libertação foi anunciada pela Igreja Católica e que viajarão para a Espanha em breve foram a dependências estatais em Havana para tirar passaportes e fazer exames médicos.
Álida Viso Bello, esposa de Ricardo González Alfonso, um dos cinco presos incluídos no último grupo de libertações, disse que as autoridades comunicaram que a viagem para a Espanha acontecerá até quinta-feira, provavelmente na terça-feira ou na quarta-feira.
Álida disse que ainda não viu seu marido, correspondente da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) em Cuba e premiado pela mesma em 2008, condenado a 20 anos no grupo dos 75 opositores presos na onda repressiva de 2003.
"Estão buscando os parentes em suas casas e nos trouxeram de ônibus a uma clínica para fazer exames médicos. Já fizeram as nossas fotos para o passaporte", segundo Viso Bello, que estava acompanhada por sua filha, a ex-mulher de González e os dois filhos de seu marido.
Outra família que passou pelos mesmos trâmites hoje de manhã foi a do preso Léster González Pentón, integrante do movimento pró-direitos humanos Razón, Verdad y Libertad, condenado a 20 anos em 2003.
Mireya Pentón e Milay Pérez, mãe e esposa de Pentón, disseram que elas e mais sete familiares vão viajar com ele para a Espanha.
Pentón também passou por exames médicos em um presídio de Havana para o qual foram levados alguns detentos que vão para a Espanha, contou sua mãe, que conversou por telefone com o filho preso.
Parentes dos presos Luis Milán Fernández e Omar Ruiz Hernández também confirmaram que foram levados para Havana por autoridades do Ministério do Interior de suas províncias de residência aparentemente para seguir similar procedimento.
A Igreja Católica cubana comunicou no sábado passado que 17 presos políticos dos que serão libertados em breve viajarão para a Espanha.
O governo cubano se comprometeu a libertar gradualmente em até quatro meses 52 presos políticos no marco do diálogo aberto com a Igreja Católica da ilha, um processo apoiado pela Espanha, que receberá todos os dissidentes deste grupo que quiserem se mudar para o país.
Estes 52 opositores são os que ainda estão na prisão do Grupo dos 75 que receberam penas de entre seis e 28 anos de detenção.