Eles prometem reformas bombásticas, um mundo sem violência, imposto mínimo, fim do Senado, extinção do ensino pago e salários excepcionais para todos. Antes disso, porém, sonham em atingir 1% das intenções de voto para ao menos aparecer nas pesquisas que ignoram as casas decimais depois da vírgula.
Eles são os nanicos, personagens com chances de vitória inversamente proporcionais à grandeza de seus propósitos. Nas últimas eleições, andavam sumidos. Em 2002, só dois postulantes tinham menos de 1% das intenções de voto. Em 2006, apenas três. Agora, a disputa tem seis microcandidatos. Eles ocuparão cerca de 25% do tempo destinado à propaganda eleitoral na TV.
Um nanico isolado tem pouca influência. Unidos, eles podem causar impacto. Numa eleição acirrada e com poucos nomes competitivos, a soma de seus votos pode ser decisiva para a realização de um segundo turno. Em 1989, 13 nanicos conseguiram 4,8%. Em 1998, oito nanicos tiveram 2,2%.
Depois, nunca chegaram a 1%. A pesquisa mais recente que apresentou resultados sem desprezar os valores à esquerda da vírgula mostrou que os nanicos inscritos na atual disputa teriam 0,9% dos votos.
A presença de nanicos tem uma segunda importância: são eles, na prática, que podem determinar a realização de debates na TV no primeiro turno. Como a lei obriga as TVs a convidar todo mundo, o excesso de nanicos acaba inibindo algumas emissoras. Elas alegam desinteresse em promover um falatório que pode parecer improdutivo.
Ser nanico não significa necessariamente ser desconhecido. Um dos mais tradicionais representantes da classe é o advogado gaúcho José Maria Eymael, dono do famoso jingle “Ei, ei, Eymael”. De tão tocada em tantas eleições, a musiquinha virou uma espécie de hino do naniquismo eleitoral.
Agora, está presente até em celulares. Para alegria de Eymael, 6.114 internautas não quiseram esperar e já baixaram o ringtone pelo site do PSDC. Isso representa mais downloads que toda votação do próprio Eymael em 2006 em Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país. Entusiasmado, o PSDC criou três novas versões do jingle: em axé, sertanejo universitário e milonga.
Esta é a terceira vez que Eymael disputa a Presidência. Por esse critério, ele empata com seu xará e nanoconcorrente José Maria de Almeida (PSTU), candidato em 1998, 2002 e 2010, e com o mais bem-sucedido nanico da história, Enéas Carneiro (Prona), morto em 2007, que foi candidato em 1989, 1994 e 1998. Em 1994, Enéas teve 7,4% dos votos.
Ficou em terceiro, na frente de nomes como Orestes Quércia (PMDB) e Leonel Brizola (PDT). Tecnicamente, deixou de ser nanico. Anos depois, virou o deputado mais votado do país, com 1,5 milhão de votos.