Dois pacientes que precisavam de atendimento clínico intensivo tiveram que recorrer à Justiça para conseguir vagas em UTIs do Hospital de Base, na região central de Brasília. Um deles esperou 24h para ser transferido.
João Vítor Soares Simões levou seis tiros na noite do último domingo (4). Ele recebeu os primeiros cuidados ainda de madrugada no Hospital de Sobradinho, a cerca de 20 Km de Brasília, mas precisava ir para uma UTI. Na noite da última segunda-feira (5), 24h depois, ele conseguiu a vaga em uma Unidade de Tratamento Intensivo no Hospital de Base, onde ainda precisou passar por mais cirurgias.
“Nós sabemos do fiasco da saúde pública, que está sucateada há algum tempo”, diz o radialista Rodrigo Simões.
Ainda no Hospital de Base, o caso de José Marcos Alves é bem parecido com o anterior. Ele também foi baleado, só que em Santa Maria, a cerca de 45 Km da região central da capital. José Alves foi operado no Hospital Regional de Santa Maria, mas precisava de uma UTI e teve que recorrer à Justiça para resolver o problema.
“As coisas só acontecem com ordem judicial. Então, entramos na Justiça, que determinou que ele fosse encaminhado pra UTI. Só assim as coisas começaram a funcionar”, conta o militar Roosevelt Vilela Pires.
O médico de Santa Maria e o juiz determinaram que ele recebesse tratamento qualificado, já que o quadro sugeria tetraplegia. Porém, os médicos do Hospital de Base teriam dito que o paciente poderia ir para casa. A situação assusta quem precisa usar o SUS. Para o presidente do Conselho Nacional de Saúde, a situação dos hospitais do Distrito Federal é caótica e tem piorado cada vez mais nos últimos anos.
“Isso pra nós significa desresponsabilização, o descumprimento de preceitos básicos sob o ponto de vista legal. E que não podem continuar acontecendo, como estão acontecendo”, enfatiza o presidente do Conselho Nacional de Saúde Francisco Batista Júnior. A Secretaria de Saúde do Governo do Distrito Federal não se pronunciou sobre os casos.