Apesar da recusa do governo de Israel, a Turquia ainda espera uma desculpa oficial do país pelo ataque à embarcação humanitária em maio em Gaza, que causou a morte de nove cidadãos turcos, disse hoje o ministro turco de Assuntos Europeus, Egemen Bagis.
Em um fórum intitulado Turquia na Europa realizado em Istambul, Bagis reiterou a postura oficial de seu país de que Israel deve apresentar desculpas pelo ataque contra um navio turco que transportava ajuda para Gaza.
Foram encontradas 30 balas nos nove corpos turcos mortos no ataque, manifestou o ministro, após reiterar que o embargo (israelense) de Gaza é ilegal.
A segurança de Israel é tão importante como a segurança dos palestinos. Queremos ver a paz no Oriente Médio, que passa pela cooperação entre Israel e os palestinos, disse o ministro diante de uma centena de industriais e jornalistas europeus.
O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, assegurou ontem que seu país não pedirá perdão nem estudou ainda compensação à Turquia pelo episódio.
Israel não pode desculpar-se porque seus soldados foram atacados por uma turba que quase os matou. Mas lamentamos a perda de vidas humanas, assinalou Netanyahu em entrevista a um canal de televisão israelense.
Por sua vez, Bagis confirmou a reunião secreta na quarta-feira em Bruxelas entre o ministro de Assuntos Exteriores turco, Ahmed Davutoglu, e o ministro da Indústria e Comércio de Israel, Binyamin Ben-Eliezer, para falar das relações bilaterais futuras após o incidente no navio turco. EFE
Premiê descarta desculpas
Em entrevista à emissora de TV estatal israelense "Channel 1" na sexta-feira (2), o premiê de Israel Binyamin Netanyahu afirmou que o Estado hebreu não pedirá desculpas pelo ataque ao navio turco "Mavi Marmara", que matou nove ativistas humanitários.
"Israel não pode se desculpar porque seus soldados tiveram que se defender para evitar ser linchados por uma multidão", defendeu o premiê.
O anúncio foi feito em resposta direta às exigências do chanceler turco, Ahmet Davutoglu, de que o governo israelense se desculpe publicamente pelo ataque à "Frota da Liberdade" para que as relações turco-israelenses sejam retomadas.
Ainda falando ao à emissora, o premiê deixou claro que ainda não há acordos para retomar as relações entre turcos e israelenses, mas confirmou a reunião entre um ministro de Israel e o chanceler turco.
As declarações de Netanyahu chegam um dia após sua participação numa cerimônia na casa do embaixador americano em Jerusalém, em antecipação ao dia da independência dos EUA, celebrado no próximo domingo (4), e três dias antes de sua visita a Washington, adiada após o ataque à frota humanitária.
Ainda no fim de maio o premiê deveria ter se encontrado com o presidente americano, Barack Obama, após uma visita ao Canadá, mas a reunião foi cancelada quando Netanyahu antecipou o retorno à Israel para gerenciar a crise internacional em decorrência do ataque do Exército israelense.
Binyamin Netanyahu deve se encontrar com Obama na terça-feira (6), para discutir temas como as relações com a Turquia e as negociações de paz com os palestinos.
Turquia
A Turquia disse diretamente a Israel nesta semana em Bruxelas o que o Estado judeu precisa fazer para recuperar as relações bilaterais, abaladas pela morte de nove ativistas turcos numa ação militar israelense contra barcos que se dirigiam à faixa de Gaza, no fim de maio, disse o chanceler turco nesta quinta-feira.
A Turquia, que já foi o principal aliado islâmico de Israel, tem dito que espera dos israelenses um pedido de desculpas, um pagamento de indenização e o aval a um inquérito da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre o incidente, envolvendo uma frota que levava ajuda humanitária aos 1,6 milhão de palestinos submetidos ao bloqueio econômico de Israel na faixa de Gaza.
"Vamos continuar indo atrás dessa questão," disse o chanceler Ahmet Davutoglu, referindo-se às condições impostas pela Turquia, que pediu também pelo fim do embargo a Gaza.
"Demos voz às nossas exigências. Temos trazido nossas exigências para a pauta em todas as oportunidades," acrescentou ele em nota.
O chanceler se reuniu na quarta-feira com o ministro israelense de Comércio e Indústria, Binyamin Ben Eliezer, em segredo. O encontro foi incentivado por Obama e causou irritação ao chanceler israelense Avigdor Lieberman.
Por causa do incidente naval, a Turquia retirou seu embaixador de Tel Aviv, cancelou exercícios militares conjuntos e proibiu aviões militares israelenses de entrarem no espaço aéreo turco.
Israel diz que seus soldados agiram em defesa própria, pois estavam sendo agredidos ao abordarem o navio turco Mavi Marmara, que fazia parte da frota humanitária. Sob pressão internacional, Israel depois disso atenuou o embargo à faixa de Gaza.