Mais de 40% das vítimas de tráfico de pessoas em Portugal são mulheres brasileiras, de acordo com o Relatório Anual de 2009 do Observatório de Tráfico de Seres Humanos (OTSH), ligado ao Ministério do Interior português.
A chefe da equipe do observatório, Joana Wrabetz, explica que a maior parte das mulheres sofre exploração sexual no país europeu.
- A maioria é vítima de exploração sexual, mas há também casos de exploração laboral (trabalho).
O relatório do governo português mostra que, em 2009, houve 84 casos de tráfico de seres humanos denunciados em Portugal. Desses, 61 diziam respeito a mulheres, 34 delas brasileiras.
De acordo com Joana, o perfil das vítimas é de mulheres solteiras, com mais de 25 anos, que vão para Portugal com "a promessa de uma vida melhor".
A chefe do observatório diz que, depois das brasileiras, a maioria das vítimas é de nacionalidade portuguesa e romena. Para Joana, o tráfico de pessoas vai além do mero transporte de seres humanos.
- Falar de tráfico de seres humanos não é apenas o transporte ilegal de pessoas é, acima de tudo, uma situação de escravatura. É a exploração do trabalho de outra pessoa.
De acordo com Joana, o tráfico pode ser caracterizado por "controle de movimentos, ameaças diretas, ofensas corporais e sonegação de documentos".
- Às vezes, há uma combinação entre vários tipos.
O ministro do Interior de Portugal, Rui Pereira, disse que o governo já criou uma legislação para combater o tráfico de seres humanos, mas reconheceu a dificuldade em combater o crime.
- Não é fácil lutar contra o tráfico de seres humanos.
O relatório do OTSH também aponta que, dos 84 casos que chegaram ao conhecimento do observatório, apenas sete foram confirmados pela polícia, que ainda investiga as outras denúncias.