Onze dos 15 presos do regime aberto que seriam voluntários nos testes com as tornozeleiras no Rio Grande do Sul desistiram de participar do projeto na última terça-feira, quando apenas quatro deles aceitaram colocar o equipamento na sede da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe), em Porto Alegre (RS). A maioria dos voluntários se frustrou quando ficou sabendo que continuaria dormindo no albergue ao invés de ir do trabalho para casa.
"Para mim e para todos os que estavam lá foi uma frustração saber que colocaríamos a tornozeleira, mas não iríamos para casa. Quando o superintendente (Mário Santa Maria Júnior) explicou como seria, muitos desistiram e pediram para ir se retirando. Eu não dei para trás porque a pessoa que está presa tem de segurar todas as oportunidades que são dadas. Acredito que os primeiros que fizeram o teste vão ter algum benefício depois (quando o projeto começar a vigorar)", disse um preso do Instituto Penal de Viamão, o primeiro a colocar a tornozeleira.
O equipamento foi aceito também por outros três presos do Instituto Penal Irmão Miguel Dario, de Porto Alegre. O teste deverá durar um mês. Durante este período, o preso dorme no albergue, vai para o trabalho e retorna para dormir no instituto penal. Quando o projeto entrar em vigor, eles não precisarão mais retornar para dormir no albergue, e o monitoramento ocorrerá entre a sua casa e o trabalho. Os presos serão acompanhados por uma central durante 24 horas, que será administrada por agentes penitenciários. Se algum deles tentar romper o lacre, imediatamente será emitido um sinal e ele será considerado foragido.
De acordo com a Susepe, houve um mal-entendido por parte dos presos, já que o uso de tornozeleira dará ao preso autonomia de ir para casa após o trabalho, mas só depois da fase de testes.
"Como a imprensa divulgou como será (no futuro), eles criaram uma expectativa, que acabou não se confirmando. Eles (presos) trabalhavam com informações que nós não tínhamos. A Susepe nos passou os critérios, mas não tínhamos os demais detalhes", afirmou o diretor-substituto do Instituto Penal de Viamão, Fabiano Vieira.
Para participar do teste com a tornozeleira, o preso precisa estar no regime aberto, ter um trabalho externo e não ter praticado crime hediondo. "Já repassei o nome de outros presos que estão nestas condições e querem participar. Provavelmente, na próxima semana vai ser possível instalar as tornozeleiras nos outros", disse Vieira.