este domingo (20), enquanto milhões de pessoas torcem pela seleção no jogo contra a Costa do Marfim, um grupo de militares brasileiros terá a chance ver a partida pela Copa do Mundo em "território inimigo".
Desde 2003, o Brasil participa da missão de paz da ONU (Organização das Nações Unidas) no país, que passou por um golpe militar em 1999, ainda não conseguiu organizar eleições e luta contra grupos rebeldes. Ao todo, sete brasileiros participam da missão, chamada de Unoci. Dois deles falaram ao R7 em entrevista por e-mail.
O capitão do Exército Pedro Luis Pereira da Silva, que está no país africano há oito meses, conta que a função dos observadores militares é transmitir ao comando da ONU tudo o que se passa no país em termos de segurança e sobrevivência da população.
- Temos por missão ser os olhos e ouvidos do comandante da força militar. Somos empregados em pequenas equipes espalhadas pelo território marfinense, para que possamos realmente estar em campo, em contato com a realidade do país.
O major de infantaria Victor Hugo Almeida Silveira explica que as missões incluem até patrulhas aéreas.
- São enviadas cerca de quatro a seis patrulhas diárias, cada patrulha com no mínimo dois observadores. Periodicamente, são realizadas patrulhas aéreas com o emprego de helicópteros. Após o termino, as equipes retornam à base e, entre outras atividades, enviam um relatório para o comando da operação, com dados atualizados da missão.
O major de artilharia José Antonio Sazdjian Júnior conta que, apesar das dificuldades, os marfinenses conseguem manter o otimismo em relação ao futuro do país.
- O bom humor da população chama a atenção, mesmo com toda a pobreza e as dificuldades que eles têm.
Futebol é paixão nacional na Costa do Marfim
Os militares ouvidos pelo R7 disseram que, como no Brasil, o futebol é paixão nacional na Costa do Marfim. Sazdjian conta que a seleção brasileira é uma das mais admiradas pelos marfinenses.
- Felizmente, aqui eles também amam o futebol, e dia de jogo é sagrado. Depois da seleção da Costa do Marfim, a seleção brasileira é paixão nacional. Todos conhecem muito bem o futebol brasileiro.
Silva diz que a admiração é tanta que quase o fez perder o jogo da seleção contra a Coreia do Norte, no último dia 15.
- No dia do jogo do Brasil, eu vesti uma camisa da seleção para ir assistir ao jogo, mas quase não consegui chegar ao restaurante, tamanho foi o assédio das pessoas quando viram a camisa canarinho. Chega a ser emocionante.
Para Silveira, o jogo deste domingo contra a Costa do Marfim deve mostrar ainda mais como os marfinenses gostam dos brasileiros.
- Com certeza eles torcem por um resultado positivo de contra o Brasil, mas, ao que parece, seja qual for o resultado, ficarão felizes, pois entendem que é uma honra jogar contra a seleção brasileira.