O Banco Cenral baixou nesta terça-feira (22) a sua previsão para o ingresso de investimentos estrangeiros diretos na economia, ou seja, dos recursos que entram no país para financiar a produção, de US$ 45 bilhões para US$ 38 bilhões em 2010.

Ao mesmo tempo, a sua estimativa para o déficit em conta corrente, um dos principais indicadores das contas externas brasileiras, foi mantido em US$ 49 bilhões. Se confirmado, este será o maior déficit desde 1947 para um ano fechado.

Até o momento, o maior déficit em conta corrente foi registrado em 1998 (US$ 33,4 bilhões), de acordo com o BC. Em 2009, o resultado negativo da conta de transações correntes somou US$ 24,3 bilhões, conforme a autoridade monetária. A expectativa do BC, portanto, é de que o déficit apresentado nas contas externas dobre em 2010.

Com as revisão da expectativa de entrada de investimentos estrangeiros diretos no país, pioraram as condições de financiamento do déficit das contas externas, uma vez que o país precisará se apioar mais na entrada de capitais para aplicações financeiras (renda fixa e bolsa de valores) para fechar a conta. A previsão de ingresso de recursos no país nestas aplicações, para 2010, foi mantida em US$ 35 bilhões pelo BC.

Crescimento econômico
A expectativa de deterioração das contas externas está relacionada com o crescimento da economia brasileira, que eleva a expectativa de importações e piora o resultado comercial. A previsão de superávit da balança neste ano subiu de US$ 10 bilhões para US$ 13 bilhões. Em 2009, o superávit comercial somou US$ 25,34 bilhões.

O BC também estima uma elevação no volume de remessas de lucros e dividendos das empresas ao exterior. Para este ano, a previsão do BC de remessas de lucros foi mantida em US$ 32 bilhões. No ano passado, totalizaram US$ 25,1 bilhões.

Outro efeito é o aumento dos gastos de turistas brasileiros no exterior, fator que também piora as contas externas. A previsão do BC de resultado negativo neste segmento subiu de US$ 7,5 bilhões para US$ 8 bilhões.