O Conselho Tutelar de São Miguel dos Campos foi acionado na tarde desse sábado(19), para verificar uma denúncia de que uma mãe, identificada apenas por Marinalva, estaria freqüentando bares da cidade levando sua filha de apenas 3 anos de idade. A criança é órfã de pai.

Após localizar a casa da avó paterna da criança no Bairro Bela Vista II, quadra B, o conselheiro tutelar Gilliard Ferreira, saiu em companhia da avó em busca da denunciada. “Nós a localizamos em um bar próximo a casa da mãe dela. Ela estava com a criança”, conta o conselheiro.

Ao constatar a presença do conselheiro, a mãe, que apresentava sinais de embriagues, começou a gritar: “Eu queria ver você! Eu queria ver você!”, o conselheiro pediu que Marinalva se acalmasse e o acompanhasse para conversar na residência de sua mãe. “Ela se recusou e sentou-se na calçada agarrada com a filha, eu insisti e ela me acompanhou até a residência da mãe”, esclarece Gilliard, que completou: “Quando chegamos à porta da residência da mãe dela, ela sentou-se mais uma vez na calçada agarrada com a filha e voltou a gritar dizendo que não iria entrar na casa e que eu queria tomar sua filha”. O conselheiro tentou explicar que precisava conversar com a denunciada, mas a mesma, aos gritos, criou um verdadeiro tumulto na rua.

A mãe de Marinalva também tentou convencer a filha a entrar para conversar, mas a mesma se recusava e aos gritos acusava o conselheiro de tentar “roubar” sua filha. “Ela começou a apertar a criança contra o peito e dizer que não entregaria a filha. Em seguida ela deu uma “gravata” na criança”, relata o conselheiro, que disse nesse momento ter tomado a decisão de arrancar a criança dos braços da mãe. “Ela ia matar a criança, a menina começou a chorar de dor e pedir pra mãe a soltar e ela ainda passou a perna por cima da menina, se os dois rapazes do conselho não tomassem a criança ela tinha a matado. Ela ainda ficou gritando dizendo que pela filha matava e morria”, conta um morador do bairro que assistiu tudo.

Marinalva ainda tentou agredir e morder o conselheiro, que, após resgatar a criança, entregou-a a avó. “Ela queria entrar na casa e pegar a menina de todo jeito”, conta um vizinho.

O conselheiro, que conseguiu imobilizar a mãe furiosa, pediu ajuda a Guarda Municipal. “Nós solicitamos a GM que a conduzisse a Delegacia Regional, onde foi lavrado o flagrante por prática de violência doméstica”, esclarece Gilliard. “Ela ficará detida em Flagrante Delito por prática do crime de VIOLÊNCIA DOMÉSTICA, tipificado no Art. 129, § 9º do Código Penal Brasileiro”, esclarece um dos agentes de plantão.

A criança foi encaminhada ao CREAS (Centro de Referência Especializado e Assistência Social), que a conduziu ao Instituto Médico Legal (IML) para exame de corpo de delito e que acompanhará o caso com atendimento especializado para a criança.

“Foi um episódio muito complicado e inédito. Em meus três anos de conselho tutelar, nunca acompanhei caso semelhante”. Gilliard disse ainda que representará a mãe por: maus-tratos, negligência, violência doméstica, tentativa de homicídio, e conclui: “Não acredito que esta criança volte ao convívio da genitora, irei solicitar do Ministério Público e do Judiciário a Destituição do Pátrio Poder, ou seja, a perda de guarda. A volta de tal convívio é por em grande risco a dignidade e vida da indefesa criança de apenas 3 anos de idade”.