Um estudo desenvolvido pela Universidade de São Paulo (USP) mediu a temperatura e os índices pluviais do Estado de São Paulo nas últimas seis décadas. Chefiado pelo engenheiro agrícola, Gabriel Constantino Blain, a pesquisa indicou uma elevação na temperatura em toda a região e forneceu informações sobre o impacto das variações climáticas sobre a atividade agrícola.
A pesquisa foi apresentada ao programa de pós-graduação em Física do Ambiente Agrícola da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (USP/ESALQ) e considerou escalas anual, mensal e absoluta, determinando as respectivas probabilidades de ocorrência, possíveis periodicidades, tendências e variações climáticas.
Ainda colaboraram com o estudo pesquisadores do departamento de Engenharia de Biossistemas (LEB), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), do departamento de Ciências Exatas (LCE) e do Instituto Agronômico de Campinas (IAC),
O pesquisador baseou-se na importância sócio-econômica do agronegócio paulista e na elevada vulnerabilidade da agricultura em relação às adversidades meteorológicas para realizar o estudo. "O melhor conhecimento da probabilidade de ocorrência de valores de temperatura do ar e precipitação pluvial bem como de possíveis tendências e variações climáticas presentes nessas séries meteorológicas ajuda a mitigar os efeitos adversos do clima na produção agrícola", disse.
O resultado da pesquisa revelou que, considerando as escalas mensal e anual, nas séries de temperatura mínima, foram detectados os indícios mais significativos de tendências de elevação temporal nos últimos 60 anos.
"De forma geral, as análises estatísticas utilizadas no trabalho indicam marcante influência de fatores de escala local, tais como o elevado grau de urbanização ocorrido no Estado. Essas alterações foram mais severas em Campinas, Cordeirópolis, Ribeirão Preto e, especialmente, Ubatuba. No entanto, em todas as localidades as temperaturas observadas ao longo do mês de abril apresentam data inicial de elevação no início da década de 1980", apontou Blain.
O pesquisador ressalta que demais trabalhos científicos apontam as costas Leste e Oeste da região Sul do continente Sul Americano como sendo as regiões em que os indícios mais significativos de elevação na temperatura do ar têm sido observados. "Um passo futuro aos resultados de nosso trabalho será o estudo das causas dessa elevação também indicada pelas nossas descrições estatísticas", sugeriu. Além das cidades mencionadas, o estudo mapeou os registros meteorológicos em Piracicaba, Jundiaí, Mococa, Pindorama e Monte Alegre do Sul.
Segundo Blain, a indicação de provável influência do efeito de ilhas de calor urbano nos postos meteorológicos utilizados demonstra a necessidade de conhecer melhor e possivelmente isolar esses fatores na elaboração do zoneamento agrometeorológico.
"A elevação das temperaturas do ar, observadas no mês de abril, no Estado de São Paulo, indicam, por exemplo, que as pesquisas voltadas às culturas como a do café devem enfocar (ou continuar enfocando) a possível influência dessa elevação na maturação desse produto e, sua conseqüente influência na qualidade final do mesmo. Os sistemas produtivos devem também considerar, além dessas características relativas à temperatura do ar, a indicação de elevação nos totais mensais de precipitação pluvial observada no mês de maio em todas as localidades analisadas", concluiu o autor do trabalho.