A candidata do PV à Presidência, Marina Silva, apostou em seu crescimento nas pesquisas eleitorais por ser, segundo ela, uma alternativa para o eleitorado. Em sabatina realizada nesta quarta-feira (16) pelo jornal Folha de S.Paulo, a senadora do Acre disse que teria continuado no PT se a legenda tivesse se comprometido com a questão ambiental; admitiu que a sigla verde tenha falhas; voltou a opinar sobre temas polêmicos; e defendeu o colega de legenda José Sarney Filho, o Zequinha – filho do presidente do Senado, José Sarney.

Marina também alfinetou sua adversária Dilma Rousseff (PT), ao comentar a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

- Lula não precisa de um continuador, precisa de um sucessor. [...] Precisa de um sucessor que seja capaz de integrar as conquistas e agregar numa nova direção.

Veja abaixo os principais trechos da entrevista com a candidata verde:

Sobre a saída do PT

- Eu seria cabo eleitoral, como sempre fui, do presidente Lula. Porque acreditaria que ele lutaria pela inclusão social, como ele fez. O PT perdeu a capacidade de visão antecipatória e fica discutindo o desenvolvimento pelo desenvolvimento. Isso é importante, mas precisa agregar o olhar sobre a atualidade.

Partido Verde

- O PV não é perfeito, ele tem seus problemas. O PT não era perfeito, como a gente achou por muito tempo que era. Entrei para o PV sabendo que o partido tem o dever de casa para fazer em relação àqueles que cometem erros.

Zequinha Sarney

- Reconheço que ele vem da política tradicional, mas ele assumiu outra posição.

Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB)

- Eles são totalmente parecidos, têm uma visão desenvolvimentista. Não vejo diferença entre os dois. Lamentavelmente as lideranças políticas não foram capazes de acompanhar a necessidade de discutir esse tema [da sustentabilidade].

Segundo turno

- Eu vou estar lá no segundo turno para ser uma alternativa.

Doações de campanha

- Esse valor [R$ 90 milhões] não chega nem perto do que foi declarado pelos outros candidatos, mas achamos que é razoável. [...] Quanto ao Leal [Guilherme Leal, empresário e seu vice na chapa], não vai ter mistura. O Guilherme está no projeto pelo que ele representa, pelo que ele construiu nos últimos 30 anos.

Reeleição

- Sou favorável à ampliação para cinco anos e contra a reeleição. Votei contra e continuo contra, porque isso se constitui em prejuízo para o Brasil.

União civil entre casais homossexuais

- Defendo os direitos civis dos homossexuais, os direitos que as outras pessoas também têm. Digo isso de forma transparente. Não concordo com o casamento porque entendo que é um sacramento.

Aborto

- Sou contra, mas defendo plebiscito. [...] Tenho uma posição a favor da vida e, por isso, contra o aborto. Mas obviamente que não é o Executivo que toma essa decisão.

Drogas:

- Não sou favorável, mas não tenho uma posição de satanizar os que são favoráveis. Defendo o plebiscito.

Reforma tributária

- É necessária uma reforma tributária. Os princípios gerais: justiça tributária. Acho que no Brasil a gente carece de estabelecer isso. Os impostos no Brasil têm um caráter regressivo, os pobres pagam mais. [...] Talvez não dê para reduzir [a quantidade de impostos], mas eu digo que não vamos aumentar e vamos buscar formas de diminuir isso.

Aparência

- Eu brinco sempre, dizendo que não sou meio tribal. [...] Cada um vai se mostrar da forma que se sente bem. É assim que eu me sinto bem. Você é candidato e, às vezes, as pessoas querem uma imagem de um super-herói. Mas o século 21 pede políticos, líderes, empresários, como uma pessoa [normal].

Usina Belo Monte

- Os índios não são uma externalidade. É um problema do projeto. Defendi que o leilão fosse suspenso para resolver os problemas.

Mulheres

- As mulheres são mais inclusivas, tendem mais ao consenso do que à disputa.

Relação Brasil X Irã

- Em relação ao Irã, vejo com preocupação. O Brasil tem um acúmulo e precisa valorizar, que é a cultura de paz. O Brasil se coloca como uma democracia, como um país de cultura de paz. O dialogo é bom, mas precisa ser feito com cuidado.

Rebolation

- Não dancei, falei claramente que não ia fazer isso. Seria uma fraude, eu nunca aprendi a dançar. Acho que os candidatos têm que encontrar o seu caminho para lidar. Eu tenho procurado ser eu mesma.