As eleições deste ano em Alagoas reservam muitas surpresas a eleitores e candidatos. A aprovação do projeto Ficha Limpa e o entendimento do Tribunal Superior Eleitoral de que a Lei poderá ser aplicada este ano traçaram um contexto político no Estado.
Além disso, devido às ações de movimentos sociais contra a corrupção eleitoral nem mesmo a popularidade de alguns candidatos no interior pode servir como termômetro para identificar o peso de cada classe econômica no resultado do pleito.
Uma pesquisa do Ibope e divulgada este mês apontou que 22% dos eleitores da região Nordeste são diretamente beneficiados pelo programa Bolsa Família, mostrando que a boa parte da população vive em condições de pobreza. Considerando a renda familiar, o Ibope mostrou que 25% dos eleitores que têm renda de até um salário mínimo são diretamente beneficiados pelo Bolsa Família.
No início do ano Alagoas obteve o melhor desempenho entre os estados da região Nordeste em relação ao percentual de beneficiários do Programa que foram alfabetizados nos anos de 2006 e 2007. Dados divulgados pelo governo federal apontam que o Estado lidera as estatísticas regionais, apresentando um índice total de 29% de beneficiários alfabetizados.
Segundo o cientista político Alberto Saldanha é difícil dizer se no Estado a eleição será decidida pelos votos de ricos ou pobres, pois os candidatos, inclusive ao governo do Estado, transitam entre todas as classes sociais, devido as alianças políticas nos municípios. Saldanha lembrou ainda, que não é apenas a falta de senso crítico e a baixa escolaridade da população que contribui para eleger maus políticos.
“Os votos da classe média também serão decisivos. Há os currais eleitorais e empresários e usineiros também representam votos decisivos nas eleições. A maioria se vende por favores e quer manter privilégios. O Collor tem muita popularidade no interior, o Lessa já foi governador e o Téo desenvolveu várias ações nos municípios. Eles são reconhecidos por onde passam, tanto entre os ricos quanto entre os mais pobres, por isso não dá para dizer que um setor específico vai decidir isso”, lembrou
O cientista político ressaltou que mesmo com a desigualdade social Alagoas tem fatores que podem contribuir para que o resultado das próximas eleições seja surpreendente. “O pleito não fica restrito ás classes econômicas. É claro que quando a pessoa tem mais instrução pode buscar informações sobre os políticos. Isso não deve acontecer só nessa época. É preciso saber o que acontece no mundo em todas as esferas”, afirmou Saldanha