Comerciantes e moradores do Itapoã, cidade a cerca de 20 Km de Brasília, denunciam a existência de uma milícia na cidade que cobra para oferecer proteção. Um sargento da Polícia Militar estaria envolvido no caso. Um morador da cidade conta que o suspeito cobra R$ 5, por dia, para afastar os bandidos do comércio.

“Conversava normal: ‘sou policial da região e a gente está com um serviço, prestando um serviço pra vocês. Vocês sabem que a cidade não tem polícia e é baratinho. É R$ 5 por dia de cada um. R$ 5 dá tranquilo pra gente fazer a segurança de vocês’, conta o rapaz que preferiu não ser identificado.

Segundo os moradores da região, os traficantes também estariam oferecendo proteção aos moradores. “Na rua que o traficante mora, ele tenta garantir pra que as pessoas não tenham problema pra que não chame a atenção da polícia pra cima da casa dele. E eles cobram por isso”, revela o morador.

A oferta serviria para cobrir a carência de policiamento na região. Considerada uma das cidades mais violentas do Distrito Federal, o Itapoã tem mais de 100 mil habitantes e conta com dois postos de segurança. “Os policiais passam por aqui correndo, muitas vezes de viatura, mas só quando está acontecendo algum crime”, diz o comerciante Pedro Augusto Soares.

No total, 29 câmeras de segurança foram instaladas pela cidade para monitorar a região. Mas cinco estão quebradas. A polícia diz que os crimes diminuíram com a vigilância eletrônica, mas comerciantes da região ainda reclamam da insegurança.

Na área conhecida como "muvuca" não há câmeras de segurança e os comerciantes precisam trabalhar atrás das grades. “Já fomos assaltados várias vezes durante o mês. Então, se a gente não trabalhar com grade é possível ser assaltado e depois de meia hora ser novamente assaltado. Já fui assaltada quatro vezes em um único mês”, desabafa a comerciante Maria Aparecida de Guimarães.

Entretanto, as câmeras já instaladas ajudam o trabalho da polícia. Foi por meio delas que os policiais identificaram um dos suspeitos de matar a dona de casa Palmiran Santos. “O grande problema que temos na região são os crimes praticados pelos adolescentes. E depois, eles são novamente colocados na rua, então, gera aquela sensação de impunidade pela comunidade. E eles se sentem aptos para praticar outros delitos”, explica o delegado 6ª DP Pablo Aguiar.

O sargento da PM suspeito de cobrar pela segurança dos moradores de Itapoã responde a um processo na Corregedoria da corporação. Ele teve a arma apreendida e está trabalhando na parte administrativa.