O jornalista e consultor Luiz Lanzetta se desligou neste sábado, 05, da campanha da ex-ministra Dilma Rousseff, pré-candidata à Presidência da República pelo PT. Reportagem publicada pelo jornal "O Estado de S.Paulo" mostrou que Lanzetta, dono da empresa Lanza Comunicação - responsável pela contratação de jornalistas -, teve encontro com arapongas ligados aos serviços secretos oficiais que produzem ilegalmente dossiês sobre adversários de seus clientes.

Em entrevista na sexta-feira ao "Estado", Lanzetta confirmou o encontro com os espiões. Neste sábado ele disse que não aceitou a proposta para produzir material contra os tucanos. "Ele me fez uma proposta, eu não aceitei. Nunca mais vi o cara", afirmou o consultor, referindo-se ao sargento da reserva Idalberto Matias de Araújo, o Dadá. O "Estado" revelou que o espião tem passe valorizado em épocas eleitorais, integrou vários escândalos políticos e esteve na polêmica Operação Satiagraha, que prendeu o banqueiro Daniel Dantas.

"Não existe contrato de serviço", completou Lanzetta. "Não existem dossiês." O consultor disse que a decisão de sair da campanha foi dele mesmo. "Fora da campanha, estou livre para me defender." A jornalista Helena Chagas, coordenadora do comitê de imprensa de Dilma Rousseff, disse que por volta do meio-dia deste sábado foi informada pela direção do PT de que o consultor havia se desligado da campanha. Lanzetta disse que os últimos 40 dias de trabalho no comitê petista foram "estranhos".

Questionado sobre as disputas internas na campanha, ele se limitou a dizer que "achava que estava tudo normal, mas não estava". "Tudo foi estranho, a própria reunião (com arapongas); era uma suspeita atrás da outra." A estratégia petista foi isolar a crise na figura de Lanzetta, apontado como articulador de uma central de dossiês.

À tarde, o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, afirmou que o jornalista não tem "nenhuma relação" com a campanha de Dilma nem autorização ou recomendação de seu comando para tratar de contratação de arapongas e da fabricação de dossiês contra adversários políticos. Dutra evitou defender o consultor. "Cada um é responsável pelos seus atos. Esse assunto nunca foi discutido conosco. Não existe subordinação dele (Lanzetta) com a campanha. Não há vinculação dele com a campanha. Se ele praticou uma coisa ilegal, as pessoas que se sentiram atingidas que o responsabilizem", afirmou Dutra. "A empresa dele foi contratada para alocação de mão de obra, de jornalistas. Se ele agiu sozinho, não há nada que a gente possa fazer", acrescentou o petista.