O Governo da Nicarágua concedeu hoje asilo político a Rubén Darío Granda, irmão do considerado chanceler das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Rodrigo Granda, assim como a sua esposa e filho.

O ministro das Relações Exteriores nicaraguense, Samuel Santos, disse em entrevista coletiva que a embaixada da Nicarágua na Colômbia já entregou uma carta à Chancelaria de Bogotá informando sobre essa decisão de Manágua em relação ao caso de Granda, que no dia 31 de maio pediu asilo na embaixada da Nicarágua em Bogotá.

O funcionário nicaraguense indicou que a mudança de Granda, sua esposa e filho a Manágua, "depende um pouco das conversas" que terão agora com o Governo colombiano.

Segundo ele, na nota enviada, o Governo da Nicarágua solicitou às autoridades colombianas que outorguem documentos de salvo-conduto para que a saída de Granda e sua família ocorra "sem perigos para suas vidas e sua liberdade".

Ele acrescentou que a decisão de Manágua de conceder asilo político a Granda "está sustentada" na Constituição do país.

As relações entre Bogotá e Manágua não são das melhores por causa das críticas do presidente nicaraguense, Daniel Ortega, à Colômbia sobre a assinatura de um acordo de cooperação militar com Washington, segundo o qual os Estados Unidos podem utilizar sete bases colombianas para combater o narcotráfico e o terrorismo.

Rubén Darío Granda foi detido pelas autoridades colombianas em 6 de abril, em companhia de sua esposa, acusado pelo crime de financiamento de atividades terroristas para as Farc.

Dias depois, um juiz colombiano considerou de duvidosa legalidade as provas apresentadas para acusá-lo de financiar e pertencer a estruturas terroristas.

O nome de Rubén Darío Granda emergiu em documentos guardados no computador de Luis Edgar Devia, conhecido como "Raúl Reyes", porta-voz internacional das Farc, morto numa operação de militares colombianos em território equatoriano em março de 2008.