A festa em comemoração aos 40 anos de Walério Araújo fechou a 27ª edição da Casa de Criadores em alto-astral, quase que traduzindo um dos caminhos apontados pelos estilistas para o verão 2011: uma estação alegre e colorida. Com força para peças por um lado mais estruturadas e rígidas, e por outro, mais soltas e esvoaçantes, reforçando a feminilidade e a vontade de sedução da estação quente. Os seios, aliás, seja por causa das transparências, propositalmente ou por uma escorregada do tecido, ficaram em evidência em vários desfiles. Enquanto isso, na seara masculina, respira-se uma moda mais leve, livre e solta, cada vez mais tendo incorporados elementos femininos, como cortes, modelagens e tecidos.
Walério se deixou contagiar pelo clima festivo e suavizou sua coleção de inverno com cores alegres, como rosa, branco, amarelo e desenhos infantis: balões, menininhas, docinhos e sorvetes, que também se transformavam em enfeites de cabeça. O marrom substituiu o preto, lembrando brigadeiros salpicados de enfeites coloridos. O lúdico, porém, não tomou lugar do sensual, que apareceu por meio de recortes, decotes e comprimentos. Até mesmo no body e na bota cuissard fetichista, as estampas eram leves sobre fundo branco.
A transparência para homens e mulheres manteve o clima do vale-tudo na festa, que contou com gogo boys e uma lista de convidados, como Sabrina Sato, assistindo em pufes na passarela. Os ilustres vestiam peças em malha com o logotipo WA como estampa.
Uma das festas mais populares do Brasil foi representada por Gustavo Silvestre, que fez da passarela bloco de Carnaval de Olinda, numa alegre e explosiva combinação de cores, em peças grandes e largas, inclusive para os homens. Nesse tributo à folia, uma das modelos entrou com uma peça tipo odalisca, com fenda lateral e um enorme arranjo na cabeça, sem nada no dorso, com os seios totalmente à mostra. Peças puídas e formas mais justas nos vestidos curtos também desfilaram.
Iemanjá
Arnaldo Ventura, que migrou do Projeto Lab, traduziu seu tema ¿Canto Para o Mar¿ em peças fluidas, como calças odaliscas, caftãs e vestidos, com movimento de ondas e aplicações de tecidos como escamas, na maioria em tons de azul, numa ode à iemanjá e, por extensão, às mulheres. Peças mais estruturadas também nos vestidos e saias curtos, com leve volume nos quadris, complementados por corsets rígidos de fibras. As estampas de cordas desgastadas e acinzentadas fizeram bom contraponto à cartela de cores que também incluía o branco, o rosa e o marrom.
Com muito frescor, o estilista levou às passarelas 12 looks masculinos, que partiam da alfaiataria, para virar peças, como camisas, blusas e capas, em tecidos leves, como organdi. Mesmo com paletós, os meninos ganhavam faixas ajustadas na cintura, contrapondo com calças largas ou justas, mas sempre curtas. Ventura provou que, como no feminino, também é um inquieto ao criar para homens.
Fácil
Os outros egressos do Projeto Lab, Danilo Costa e Karen Feller, deram continuidade às suas propostas e não trouxeram nada que causasse surpresa. A impressão é de que não quiseram mexer em time que está dando certo. A moda masculina de Danilo manteve-se na toada das t-shirts com estampas bonitinhas, calças, macacões, shorts e bermudas, quase sempre finalizados com coletes, inclusive nos modelos mostrados também para as mulheres. Também apresentou sungas e maiô feminino.
As criações de Karen Feller são para mocinhas quase comportadas. Então a estilista também preferiu ficar nesse território que vem apresentando desde quando ganhou o Projeto Zero. Vestidos curtos, com volume nos quadris, como as tendências pedem, blusas mais ajustadas, peças com tecidos em sobreposições que se transformam em babados. Leggings com paetês, blusinhas de babadinhos e macacões também fazerm parte do verão 2011 da jovem estilista. Tudo bem comercial e fácil de seu público querer usar.