Depois de 18 horas de reuniões, o Irã, o Brasil e a Turquia chegaram ontem a um consenso sobre a troca de urânio enriquecido, uma medida que poderia amenizar as desconfianças dos Estados Unidos e de países europeus em relação ao programa nuclear de Teerã e evitar novas sanções ao país.
O acerto, que contemplaria 1.200 quilos de urânio e teria a Turquia como fiel depositária, foi anunciado pela Chancelaria turca e confirmado ao GLOBO por um assessor da Presidência da República.
Segundo a fonte, os detalhes serão anunciados hoje em Teerã pelo presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o primeiro-ministro da Turquia, Tayyp Erdogan. Lula e o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, evitaram o assunto durante o dia.
Foi o ministro de Relações Exteriores turco, Ahmet Davutoglu, quem primeiro revelou o acordo. A medida deve ser anunciada após uma revisão do texto entre os três presidentes nesta manhã.
— Sim, foi alcançado (um acordo) depois de 18 horas de negociações — disse o chanceler turco.
Erdogan, que anteontem informara que não compareceria à reunião do G-15 que ocorre hoje em Teerã (da qual o Brasil é um dos signatários), desembarcou ontem de madrugada no país, numa viagem de última hora.
— Vou ao Irã pois será adicionada uma cláusula à proposta que diz que a troca (de urânio) aconteceria na Turquia — disse Erdogan antes de embarcar.
O acordo fechado seguiria as bases das condições que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), ligada à ONU, ofereceu a Teerã em outubro: a troca de 1.200 quilos de urânio para ser enriquecido no exterior, possivelmente em Rússia e França.
No entanto, há mudanças em relação ao local da troca da substância, que agora seria feita em solo turco. Ainda não se sabe se a troca seria simultânea, como exigia o Irã, ou por partes, como queriam os EUA.
Além disso, tampouco há confirmação de que o acordo vai satisfazer os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, que ameaçam Teerã com uma quarta rodada de sanções.
