O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu colega iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, estão reunidos neste domingo em Teerã para tratar do tema nuclear e o Irã parece minimizar a avaliação do Ocidente de que esse encontro seria a última chance da República Islâmica acalmar as tensões crescentes sobre o seu programa nuclear.
Para superar o impasse, o presidente Lula, junto com o ministro do Exterior da Turquia, Ahmed Davutoglu, está tentando convencer o Irã a reconsiderar a proposta de troca de combustível nuclear, apoiada pelas Nações Unidas.
Autoridades russas e ocidentais têm dito que a viagem de Lula seria provavelmente a última chance do Irã evitar novas sanções, depois da recusa do país de suspender a suas atividades nucleares.
No entanto, autoridades e a mídia do Irã ignoram o tema em público e focam nas relações bilaterais.
"A sua visita tem uma importância especial devido ao início da cooperação séria entre duas grandes nações e também porque muitos países aguardam a nossa cooperação", disse o presidente Ahmadinejad, durante encontro com Lula, de acordo com a imprensa oficial.
Lula também se encontrou a autoridade máxima do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, que tem a última palavra sobre todos os assuntos do Estado.
"Os Estados Unidos estão irritados com a proximidade de dois países independentes como o Irã e o Brasil. É por isso que reclaramam tanto antes da sua (Lula) visita ao Irã", declarou Khamenei, segundo a TV estatal.
Na sexta-feira, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, disse que o esforço de mediação de Lula falharia.
ERDOGAN NA REUNIÃO?
O Brasil e a Turquia, membros não-permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas, se ofereceram para mediar uma solução para o impasse, no momento em que potências mundiais negociam novas sanções ao Irã.
O Irã declarou que via a mediação de forma positiva.
O premiê turco, Tayyip Erdogan, era esperado no Irã junto coma visita de Lula, mas uma fonte diplomática turca afirmou neste domingo que ele só irá se o Irã der um sinal positivo.
"Se parecer que podemos ter uma resposta positiva do Irã na negociação, o ministro do Exterior Davutoglu dará o sinal verde para a ida de Erdogan a Teerã", afirmou a fonte.
A proposta com o apoio das Nações Unidas, oferecida ao Irã em outubro, que agora se tenta retomar, prevê o envio pelos iranianos de 1.200 quilos de urânio pouco enriquecidos para a Rússia e para França, onde essa carga seria transformada em combustível para o reator de Teerã.
O Irã afirmou na época que só trocaria o seu material por urânio em níveis maiores de enriquecimento e somente no seu próprio território. As condições foram recusadas.
Os iranianos começaram a enriquecer urânio eles mesmos para produzir combustível para o seu reator, o que os deixa mais perto do grau de pureza necessário para produzir armas nucleares.
Lula chegou no Irã no sábado para a reunião do Grupo dos 15, encontro de países em desenvolvimento que se dará nesta segunda-feira.
Quinto exportador de petróleo, o Irã diz que o seu programa nuclear é para fins pacíficos, voltados para a energia elétrica. O Ocidente o acusa de querer usar o programa para fins militares.