No documento "Carta dos Bispos aos Presbíteros"  , aprovado nesta quarta-feira na sua 48ª Assembleia Geral, em Brasília, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) defendeu a condenação judicial dos padres envolvidos em crimes de pedofilia e admitiu a necessidade de reparação às vítimas. A Igreja Católica classificou esses atos como comportamento abusivo. Os bispos trataram do assunto num parágrafo de sete linhas. A CNBB reconhece que as denúncias contra os padres pedófilos atingiram a credibilidade dos sacerdotes.

"Com humildade, reconhecemos que estamos em tempo de purificação, recordando que, diante do pecado, nos são dados como remédios a conversão, o perdão, a reparação às vítimas; diante do crime, as penalidades da lei civil e canônica; e diante de patologias, adequadas terapias", diz o documento da CNBB.

Para a entidade, o comportamento dos padres que abusaram sexualmente de crianças causa sofrimento e indigação, sentimentos que "invadiram o íntimo de muitos cristãos e das pessoas que amam a Justiça, a verdade e a coerência de vida".

Dom Hummes defende cartilha que oriente padres

Após encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o cardeal dom Cláudio Hummes, prefeito da Congregação para o Clero no Vaticano, comentou rapidamente nesta quarta-feira sobre a pedofilia no meio religioso. Ele defendeu a publicação de uma cartilha que oriente os padres e auxilie no com$dessa prática na Igreja Católica. Para Hummes, são delitos inaceitáveis.

- É um problema grave, gravíssimo, intolerável. A Igreja, a meu ver, no momento está sendo aquela instituição no mundo que mais abertamente, e com maior rigor, está combatendo esse crime, esses delitos, que são inaceitáveis. Tanto assim que o papa já tem dito mais vezes que não há lugar no ministério sacerdotal para pedófilos. Isso ele tem dito, e eles têm de se retirar do ministério e terão de enfrentar os tribunais comuns. Tanto que disse que o perdão não exime da punição.

A CNBB aprovou também a "Declaração sobre o Momento Político Nacional' , que defende uma profunda reforma política no país, faz uma defesa do projeto Ficha Limpa e recomenda aos fiéis uma reflexão sobre importância do voto ético.

No texto da declaração, não há qualquer citação a partidos e candidatos. "Incentivamos a que todos participem e expressem, através do voto ético, esclarecido e consciente, a sua cidadania nas próximas eleições, superando possíveis desencantos com a política, procurando eleger pessoas comprometidas com o respeito incondicional à família, à liberdade religiosa e à dignidade humana".

Ainda que num trecho curto, o documento apontou críticas ao Programa Nacional de Direitos Humanos, com "distorções inaceitáveis presentes em alguns itens".