Mãe de Diego Florêncio diz que está recebendo ameaças dos assassinos

Redação|
Paulinho do Cartório
Paulinho do Cartório

O Dia das Mães será mais uma vez marcado pelo sofrimento para Leoneide Florêncio, mãe de Diego Santana de Florêncio, 23, que foi assassinado com tiros de pistola 380, em 2007, no município de Palmeira dos Índios. Emocionada, a mãe do rapaz lamentou a demora para que os responsáveis pelo crime sejam presos e disse que desde a morte de Diego, as datas comemorativas têm sido tristes.

Leoneide questionou, ainda, a mudança no depoimento de Thiago Limeira, testemunha ocular do crime. Thiago estava com a vítima no momento do assassinato e, em seu último depoimento, no dia 5 de maio, se contradisse, defendendo os acusados, entre eles Paulo José Teixeira Leite Teixeira, o ‘Paulinho do Cartório’, Juliano Ribeiro Balbino e Antonio Garrote da Silva Filho, o ‘Toninho Garrote’.

 “Me doi na alma saber que a última pessoa a estar com meu filho foi o Thiago, que freqüentava nossa casa, me chamava de tia e que três anos depois vem defender os acusados. Me senti traída, porque ele deu detalhes do que aconteceu nos últimos momentos de vida do meu filho. Falou da cor da roupa dos assassinos, do carro rondando a lanchonete onde eles estavam. Falso testemunho é crime, mas acho que o Thiago está sendo coagido”, contou Leoneide.

O caso voltou a repercutir após o juiz Luciano Andrade e o promotor Andresson Chaves ouvirem novamente as testemunhas de acusação, na última quarta-feira (5). O promotor afirmou que novas prisões podem acontecer a qualquer momento, inclusive em relação a Thiago, por falso testemunho. Em outra audiência, que ainda será marcada, eles devem ouvir as testemunhas de defesa.

“O assassinato do meu filho ocorreu no dia 23 de junho, na véspera de São João, que também está próxima e me lembra o que aconteceu. Meu coração está dilacerado. É uma pena ver isso acontecer com um filho carinhoso, compreensivo, que era meu confidente. Ele estava a três dias de receber o diploma do curso de Análise de Sistemas, que acabou saindo sem a sua assinatura. Tenho mais dois filhos, mas nada apaga a dor que o assassinato do Diego causou”, lembrou Leoneide.

A mãe de Diego agradeceu o apoio dado a ela pela população de Palmeira dos Índios e disse que não quer deixar de acreditar na justiça. “Acho que 80% da população de Palmeira demonstra solidariedade e espera a resolução desse caso. Recebo o apoio das Mulheres do terço, do Rotary Clube, do qual faço parte, de professores e alunos do Cesmac, onde meu filho se formou, e até de pessoas da escola onde ele estudou. Todos dizem que estão orando por mim, pois as minhas forças estão se esgotando. Já recebi ameaças, vou morar na capital, mas nunca vou desistir”, ressaltou.

Ela considera o fórum do município sem condições para conduzir o caso e afirmou ser necessária uma intervenção, contando que duas semanas antes da última audiência sofreu intimidação, além de ter que ver os acusados pelo assassinato de seu filho debochando e falando que têm certeza de que não serão presos. Leoneide destacou o sofrimento enfrentado por mães que perderam seus filhos precocemente e de forma brutal, citando como exemplo, o assassinato do estudante Fábio Acioly, que ocorreu em agosto de 2009.

“Dizem que o juiz foi comprado e sei que o Paulinho do cartório é muito influente no Fórum, tem parentes trabalhando lá. Quando ele e os outros acusados iam ser presos a informação vazou e eles fugiram da cidade. Por isso o caso deve ser resolvido na capital. Não é possível que a morte do meu filho fique impune. A mãe do Fábio Acioly deve estar enfrentando a mesma dor que me aflige”, destacou a mãe de Diego.

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