O anúncio da candidatura do ex-presidente e atual senador Fernando Collor de Melo (PTB) para disputar o governo do Estado surpreendeu o Movimento Contra a Corrupção Eleitoral em Alagoas (MCCE/AL), além de aliados e opositores. O MCCE luta para que o projeto “Ficha Limpa”, fruto de uma iniciativa popular que contou com quase 2 milhões de assinaturas favoráveis, entre na pauta da Câmara Federal ainda esta semana, já que passou pelo Senado.
Além de contar com o apoio de deputados indiciados na Operação Taturana, como Cícero Ferro (PMN) e Antônio Albuquerque (PTdoB) a candidatura de Collor é vista com desconfiança pelo movimento devido à vida pregressa do senador, que saiu da presidência da república há mais de 15 anos, acusado de corrupção e após um impeachmant, que contou com o apoio de milhares de pessoas que ganharam as ruas e ficaram conhecidas como "caras-pintadas".
O coordenador do MCCE, Adriano Argolo explicou que o movimento é suprapartidário e que por isso não faz críticas a partidos políticos e sim, estimula a valorização da idoneidade do candidato, o que para ele deve ser prioridade na hora do voto. Ele destacou a expectativa para a aprovação do Ficha Limpa, que deve ser votado até a próxima quarta-feira, apesar das alterações.
“Os eleitores devem optar por candidatos com a ficha limpa, pois muitos cometem crimes e agem como se nada tivesse acontecido. Lamentamos a candidatura daqueles que têm uma historia suja, com improbidade administrativa e acusações de homicídios e corrupção ativa. Se um projeto semelhante ao Ficha limpa já existisse não teríamos que agüentar certos políticos. Estamos otimistas pela aprovação do projeto”, ressaltou o coordenador.
Segundo Argolo o passado de Collor é uma marca difícil de esquecer, por conta da gravidade e da repercussão de seu impeachman, que não pode ser ignorado pelo eleitorado. “Muitos esperam o tempo passar para voltar ao cenário político, por acharem que o povo não se lembra. Por isso, continuaremos pregando a importância da ficha limpa, mas não podemos fazer campanha contra ou a favor de ninguém, embora Collor, Cícero Ferro e Ronaldo Lessa entre outros já tenham sido processados”, afirmou.
Alterações no Ficha Limpa
Argolo destacou que apesar das mudanças feitas pelo relator do projeto, José Eduardo Cardozo (PT-SP) e que causaram polêmica na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) a aprovação do Ficha Limpa será uma grande conquista. A principal alteração é o efeito suspensivo dos recursos. Assim, um político condenado em segunda instância em decisão colegiada poderá registrar candidatura se apresentar recurso da condenação ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
“A emenda impede a candidatura mediante condenação em 2° instância e há a possibilidade de recorrer ao STJ. No projeto original isso aconteceria em 1° instância, mas apesar da distorção é o que temos. Após a aprovação o Ficha limpa poderá ser dilapidado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo Congresso Nacional”, destacou o coordenador do MCCE.
